Tribuna do Leitor

As máscaras da insensatez

Ivan Garcia Goffi
| Tempo de leitura: 2 min

A Covid/19 não trouxe só um novo vírus.

Ela também criou um novo tipo de ser humano: aquele que não quer entender de coisa alguma, tamanha paúra que alimenta a alma, e decidiu desistir da racionalidade. Refiro-me, em particular, àqueles que, na vastidão da solitude de uma rua, ao ar livre, andam mascarados como se aquele débil artifício fosse a única fonte de oxigênio no planeta. Sobra ignorância e falta sensatez. Explico o porquê.

Primeiro, porque a máscara sempre fui usada pela medicina e ciência para evitar o contato a curta distância com os aerossóis (líquidos expelidos numa cirurgia, espirro ou cusparada), pois tais gotículas, e apenas as mais invisíveis a olho nu, não se mantém no ar por mais que uns poucos minutos. Passado esse tempo, o ar está limpo de novo.

E não para por aí. Vírus não voa. Não tem asas. Não está atrás do poste esperando para pular sobre alguém e não sai durante a fala. Exceto no caso de um espirro a curta distância (por isso sugerem o distanciamento), o ar é o de sempre, o mesmo dos últimos milênios. Também é insensato o uso dessa máscara quando se caminha por restaurantes, áreas de alimentação, lojas, shoppings e afins, pois mesmo de máscara todos tocam milhares de vezes nas maçanetas, cadeiras, mesas, balcões, máquinas, cabides e uma grande quantidade de objetos onde os fluídos corpóreos (suor, gordura e outros) podem manter o vírus vivo por alguns dias. Parece que ninguém se dá conta disso e a fé segue inexorável no uso da máscara. Também não se dão conta de que 100% dos infectados usavam máscara e, mais ainda, alguns até adoravam todos os procedimentos de segurança. E ainda assim se infectaram.

Pior de tudo é ver o medo de gente saudável, abaixo dos trinta, quarenta anos. Foi fato comprovado que a Covid ceifou majoritariamente a vida de um determinado perfil: idosos, hipertensos, obesos, sedentários e com outras doenças respiratórias crônicas. Fora isso, foram centenas de milhões de casos que não passaram dos efeitos de uma gripe. O que essa juventude de cristal teme?

Ademais, grande parte da população já foi vacinada, inclusive todos os que ainda ficam mascarados pelas ruas. O que mais querem? O que mais os gestores vão exigir?

Os números de infecção e óbito seguem em franco declínio, seja pela vacinação, seja pela imunidade do rebanho. Sejamos mais sensatos e façamos nosso mundo voltar ao normal. A sanidade mental pede isso.

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