Tribuna do Leitor

Fala do povo e fala do douto

José Misael Ferreira do Vale
| Tempo de leitura: 1 min

Admirei, como simples humano,

imenso amontoado de sólidas

pedras!

Não contive ao impacto visual dos

objetos e exclamei muito discreto:

Que pedras! Que bonitas

pedras! Pensei comigo. Claras,

ao chão modesto.

O cientista amigo corrigiu-me na

hora: são simples rochas, nada

mais!

Ao perceber que eu ficara

encabulado brincou: cuidado com

uma "rochada"!

Pensei: o povo jamais usaria uma

"rochada", no caso de pedrada bem

dada!

É certo que o sujeito que recebesse

pedrada ficaria certamente

atordoado!

No caso de uma "rochada" o

sofrimento não seria menor ao

"cara" apedrejado!

Lembrei-me de imediato de

pensador que outrora falara de

"concreto pensado".

O "concreto"(pedrada ou

"rochada") seria a "síntese de

múltiplas determinações".

A pedra seria coisa dura, com

massa e peso, química, geológica

e geográfica etc.

Para o notável pensador o

"concreto pensado", pedrada ou

"rochada", de fato,

seria, a todo rigor científico,

"síntese de múltiplas

determinações" de um objeto.

À base de determinações feitas

pelas análises teríamos um saber

sintético correto.

Enfim, o sujeito que recebesse uma

pedrada ou "rochada" estaria em

apuro certo,

entre a vida e a morte, não

importando o uso popular ou erudito

da fala humana!

 

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