Certa vez, faz algum tempo, visitei,
com amigos, o sofrido Nordeste.
Ao pisar o solo ressequido,
empoeirado, acidentado do agreste,
vislumbrei rica formação geológica
pétrea na encosta do morro.
Admirei, como simples humano,
imenso amontoado de sólidas
pedras!
Não contive ao impacto visual dos
objetos e exclamei muito discreto:
Que pedras! Que bonitas
pedras! Pensei comigo. Claras,
ao chão modesto.
O cientista amigo corrigiu-me na
hora: são simples rochas, nada
mais!
Ao perceber que eu ficara
encabulado brincou: cuidado com
uma "rochada"!
Pensei: o povo jamais usaria uma
"rochada", no caso de pedrada bem
dada!
É certo que o sujeito que recebesse
pedrada ficaria certamente
atordoado!
No caso de uma "rochada" o
sofrimento não seria menor ao
"cara" apedrejado!
Lembrei-me de imediato de
pensador que outrora falara de
"concreto pensado".
O "concreto"(pedrada ou
"rochada") seria a "síntese de
múltiplas determinações".
A pedra seria coisa dura, com
massa e peso, química, geológica
e geográfica etc.
Para o notável pensador o
"concreto pensado", pedrada ou
"rochada", de fato,
seria, a todo rigor científico,
"síntese de múltiplas
determinações" de um objeto.
À base de determinações feitas
pelas análises teríamos um saber
sintético correto.
Enfim, o sujeito que recebesse uma
pedrada ou "rochada" estaria em
apuro certo,
entre a vida e a morte, não
importando o uso popular ou erudito
da fala humana!