Esportes

Brasileiros buscam encerrar jejum de vitórias na principal corrida de rua do País


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A corrida de São Silvestre volta às ruas paulistanas, nesta sexta-feira (31), após o cancelamento do ano passado causado pela pandemia de coronavírus. A prova terá largada na avenida Paulista, às 7h40 para as mulheres e 8h05 para os homens. Em 2020, a corrida não foi realizada. Por causa da pandemia de Covid-19, a corrida acabou cancelada pela primeira vez desde que o evento foi criado, em 1925. Os brasileiros tentam quebrar a hegemonia africana na prova.

Principal corrida de rua da América Latina, a São Silvestre terá a participação de 20 mil corredores - a expectativa inicial dos organizadores era de 35 mil participantes. As incertezas sobre a realização do evento em função do avanço da variante Ômicron afastou os competidores. O réveillon da Paulista, por exemplo, foi cancelado para evitar aglomerações.

O regulamento da competição determina que o uso de máscara é obrigatório "durante todo o período de permanência na Arena da Prova Presencial que compreende as áreas de largada e chegada, incluindo a dispersão". Ao longo do percurso, no entanto, o uso é apenas recomendado, assim como o porte de máscaras reservas. Isso significa que o próprio corredor decide se corre de máscara ou não. Somente atletas vacinados poderão participar da disputa. A prova será realizada sem a presença do público.

APOSTAS DO BRASIL

Existe um provérbio africano, segundo o maratonista Daniel Nascimento, ex-atleta da Associação Bauruense de Desportes Aquáticos, que diz: quem deseja ir rápido, deve correr sozinho, mas quem deseja ir longe, deve ir em grupo. Para ele e Grazieli Zarry, a máxima ajuda a explicar a hegemonia dos africanos na São Silvestre, corrida de rua mais famosa do Brasil. Os dois atletas são as principais esperanças do Brasil de retomar o pódio. "Seria legal se todo mundo se ajudasse", reflete Zarry. Ela diz, porém, que, no Brasil, é cada um por si.

O último vencedor brasileiro, Marilson Gomes dos Santos, levou o título em 2010. Dentre as brasileiras, a última foi Lucélia Peres, em 2006. Desde então, etíopes e quenianos dividem as últimas dez vitórias na competição. O Quênia lidera a soma de edições vencidas - são 15 masculinas e 14 femininas. O Brasil vem na sequência no masculino, com 11 vitórias, e em terceiro no feminino, com cinco - duas a menos que Portugal, com sete títulos entre as mulheres.

"O Brasil é o país do futebol, a África (o continente) do atletismo", disse Daniel em entrevista coletiva na quinta-feira (30). Ele diz que passou a treinar no Quênia para estar entre os melhores, mas não esquece da história brasileira no atletismo: "Eles aprenderam com a gente de 1995 a 2000. Agora temos que ir lá buscar (a excelência) para trazer de novo".

O retorno oficial da corrida contará com nomes de peso dentre os atletas de elite. Além de Daniel e Grazieli, correm Elisha Rotich, queniano recordista da Maratona de Paris de 2021, Sandrafelis Chebet, também queniana e vencedora da São Silvestre de 2018, e o etíope Belay Bezabh, ganhador no masculino em 2018. Outros atletas que são esperança do Brasil são Ederson Villela, ouro nos 10 mil metros no Pan de Lima, e Giovani dos Santos, bicampeão da Meia Maratona de São Paulo.

Alguns estrelados largam com o público geral, caso de Emerson Iser Bem, campeão da prova paulistana em 1997, e Marílson dos Santos, tricampeão e último atleta nacional a vencer a competição, em 2010.

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