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Furo em escalas de UPAs continua e Saúde municipal notifica Omesc

Marcele Tonelli e Guilherme Tavares
| Tempo de leitura: 3 min

Prosseguiram com desfalques e até com o princípio de uma confusão, nesta segunda-feira (3), os plantões médicos nas UPAs Bela Vista e Ipiranga, que, desde o último sábado (1), passaram a ser gerenciadas pela Organização Social de Medicina e Educação de São Carlos (Omesc). Diante da continuidade dos furos nas escalas, a Secretaria Municipal de Saúde notificou a entidade, ontem, por descumprimento de contrato.

Outras penalidades, contudo, ainda não estão previstas. Uma reunião entre a pasta e o Conselho Municipal de Saúde, por volta das 9h desta terça (4), deve discutir a questão.

Em nota, a Omesc confirma ter recebido a notificação e alega que há "boicote de alguns médicos" pelo fato de o valor do plantão ofertado pela organização ser mais baixo do que o pago anteriormente por outra entidade, mas ressalta que espera "um quadro mais estável de profissionais para os próximos dias".

DESFALQUES

Nesta segunda-feira, as duas UPAs apresentaram desfalques de, pelo menos, um médico nos plantões diurno e noturno. No domingo (2), o furo na escala também foi de um profissional em cada um dos períodos.

E, conforme o JC noticiou, no sábado (1), a UPA Ipiranga só não ficou desassistida porque a futura secretária municipal de Saúde, Alana Trabulsi Burgo, e o presidente da organização social, João Luis Queiroz, assumiram os trabalhos de três médicos que faltaram.

No fim de semana, no entanto, o movimento foi baixo nas unidades em razão das festas de fim de ano, o que teria minimizado os impactos dos desfalques aos pacientes.

CONFUSÃO

Mas, nesta segunda-feira, o fluxo aumentou e as unidades amanheceram cheias. Só na UPA Bela Vista, ao menos 70 pessoas aguardavam atendimento pela manhã. A cabeleireira Jaqueline dos Santos, 46 anos, e o filho Maicon dos Santos, 15 anos, esperaram quase 3 horas pela consulta. "Ele está com dor de cabeça, no corpo e com bastante tontura... foi medicado. Tinha que atender mais rápido. A sala de espera está lotada, com muita gente espirrando e tossindo", relata a mulher. No local, três médicos atendiam pela manhã, quando a escala previa quatro.

Ainda por lá, o atraso no atendimento teria sido motivo de confusão durante a madrugada. Segundo o vereador Júnior Rodrigues (PSD), funcionários relataram que, por volta das 3h, pacientes se revoltaram e tentaram invadir o consultório. "Eles estavam em dois profissionais, mas um estava em horário de descanso, por isso tinha um só. O plantonista ainda estava chamando fichas das 23h quando os pacientes perderam a cabeça. Tiveram que chamar a polícia", relata o parlamentar.

A PM confirmou o chamado e o envio de duas viaturas para a UPA Bela Vista, porém, não houve registro de boletim de ocorrência (BO), porque, quando os policiais chegaram, a situação já havia sido resolvida. Não houve notificações também de agressões ou feridos.

Na UPA Ipiranga, a espera era menor, mas também houve quem reclamasse de demora. Por lá, o plantão ainda era realizado pelo presidente da Omesc e por uma médica, que é servidora e foi acionada para ajudar.

Correm nos bastidores que os furos na escala só não têm sido maiores, porque alguns médicos viriam dobrando os plantões presenciais e atuando mais de 36 horas por dia, sendo que o preconizado para a categoria é de até 24 horas.

EXPECTATIVA

Para Orlando Costa Dias, que ainda exerce o cargo de secretário municipal de Saúde, a confusão foi pontual e não há demora fora do comum nas UPAs. "Existem pessoas que querem passar na frente das outras, é complicado. Até os serviços privados têm esperas. Em uma segunda-feira, levar de 3 a 5 horas para ser atendido acontece, até porque estamos com aumento de casos de gripe", comenta o titular da pasta, ressaltando ter estendido o horário noturno de nove postos de saúde para diluir filas das UPAs, conforme o JC noticiou na semana passada.

Sobre uma possível abertura de portas do Pronto-Socorro Central (PSC), cogitada por vereadores que fiscalizaram as unidades no fim de semana, Costa Dias é enfático: "Só acontecerá se as quatro UPAs da cidade não derem mais conta. E a equipe técnica indicar que há colapso".

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