O termo líder se refere a uma pessoa que agrupa outras em prol de uma causa, um projeto, uma meta em comum. Também pode ser definido como a capacidade de ter influência social e conseguir a colaboração dos outros para determinadas tarefas. Trago este conceito para chamar a atenção do momento em que vivemos. O quadro geral é, ao meu juízo, de evidente escassez de líderes em todos os campos da sociedade. Isso vale em nível mundial, nacional, estadual e local.
A ausência de pessoas comprometidas com uma causa, que buscam o bem comum, faz com que as Instituições sejam niveladas por baixo. Neste contexto, ao não identificar líderes dispostos a assumirem posições chaves na sociedade, nos limitamos a escolher alguém que se disponha a fazer. Em muitos casos isso leva à mediocridade. Esta é a realidade, principalmente no setor público, existindo raríssimas exceções.
Afinal, qual é o papel do líder? O líder não assume papel de poder pelo poder, ele é, na prática um orientador que estimula sua equipe e, no caso do setor público, além de seu time, estimula a sociedade como um todo. Ele é capaz de criar um relacionamento saudável, positivo, empático, sendo um verdadeiro guia. Ser um bom líder é saber agir na direção de evitar conflitos. É ser exemplo a ser seguido. O líder é íntegro, responsável, passa confiança, tem responsabilidade e sabe como motivar a equipe.
O líder nunca deixa os seus sozinhos, principalmente quando estão em jogo questões importantes, como por exemplo um setor que pode ter problemas, uma transição que requer cabeça fria para ajustes e, acima de tudo, o líder tem presença física, para dar exemplo, notadamente em momentos em que o time se sente impotente diante da adversidade. Para algumas pessoas o ser líder nasce quando são muitos jovens, para outros, a tentativa e erro lapida sua propensão a ser líder, e até chegam lá, e há outros que não tem jeito, pois sua vaidade, suas convicções pessoais, seu projeto de poder, enfim, o que não é coletivo, prevalecem, e por mais que tentem, mais cedo ou mais tarde serão desmascarados.
Como colocado, a mediocridade é normalmente o caminho que estes falsos líderes trilharão. O curioso é observar que muitas vezes a liderança cai no colo destas pessoas despreparadas, que recebem um presente dos céus, um presente de ouro, mas como há limitação em enxergar a dimensão destas oportunidades, rapidamente deixam fugir das mãos aquilo que é desejado por muitos, mas entregues à poucos.
O resultado disso tudo é reducionismo nas soluções de problemas, e as entregas são inferiores ao potencial existente.
Triste momento da sociedade que tem que observar, em todas as esferas de poder do setor público, e em muitas organizações dos demais setores da sociedade, a proliferação de falsos líderes, sendo que, quando quem observa esta possível liderança, aguçando o senso crítico, concluem que estas pessoas estão distantes, mas muito distantes de fazerem a diferença e liderarem pelo exemplo.
É uma pena que esta seja a realidade.
O autor é economista, presidente da Acib. Âncora/comentarista do Cidade 360º.