Tribuna do Leitor

Onde encontrá-la?

Roberto Purini
| Tempo de leitura: 3 min

Rebuscando meus importantes guardados, encontrei, já amarelada pela ação do tempo, a crônica escrita pelo competente jornalista e amigo João Jabbour. Foi publicada no Jornal da Cidade em Abril de 2014. Naquele 28, li atentamente e a guardei, pois sempre me interessei pelo tema.

João faz considerações sobre esse sentimento, por todos buscado e que significa: "ato ou efeito de sentir, capacidade para tanto, sensibilidade, faculdade de conhecer, emoção, alma", e que tais. Nela, entre outros, Jabbour cita o nome do monge budista Mattieu Ricard, considerado o homem mais feliz do planeta, segundo um estudo neuronal da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos. Ricard, ele mesmo, o citado, como homem mais feliz do mundo, afirma: "O amor é o segredo da felicidade" e continua: "É único sentimento que se multiplica a cada vez que é investido".

Sobre essa assertiva, tenho repetido diariamente, há mais de 63 anos: "Felicidade repartida com o próximo dura eternamente." Sabe-se que, para falar de felicidade, amor ou outro sentimento é preciso que nós o façamos com conhecimento de causa, que os tenhamos vivido ou sentido, portanto, faz-se necessário, sermos no caso, protagonistas.

Sobre felicidade, também, já se disse, algures: "Não existe, ou o que existe são momentos felizes". Aí, me vem à memória o que escreveu uma colega do curso de Letras da nossa querida Fafil, na contra-capa do livro Imortal Poems:"Un souvenir heureux est put-être sur terre plus poissant que le bonheur", isto é, uma lembrança feliz pode ser sobre a terra, mais forte que a felicidade. Pensando, talvez, da mesma forma, um filósofo francês afirma que "a busca da felicidade plena não existe, portanto, sua busca não faz sentido".

O poeta Judas Isgorogota afirma: "Felicidade é coisa que não tem". Já, o Vate Vicente de Carvalho escreveu: "Existe, sim, mas nós não a alcançamos, porque está sempre, apenas, onde a pomos, e nunca a pomos onde nós estamos".

Sobre todas essas lucubrações, nos idos de 2018 este velho fazedor

de versos ousou escrever:

Há quem diga: não existe,

ou, são apenas momentos,

e a dúvida persiste,

pois, faltam-nos argumentos.

Seria, sua busca o fim último da vida?

Diz o filósofo que sim,

mas a própria filosofia duvida.

O bem moral, a beleza, a sabedoria, a verdade,

são outros valores que a filosofia aponta

tratando o assunto com seriedade.

Inclusive tendo, como supedâneo, o que disse nosso Mattieu Ricard, o homem mais feliz do planeta: "o amor é o segredo da felicidade", vem-nos à lembrança as virtudes teologais: fé, esperança e caridade (amor). E essa citação me remete a um soneto meu escrito e publicado no Jornal da Cidade em 5 de outubro de 2019, onde eu falo de fé e felicidade que transcrevo agora:

Fé-licidade

Dizem que a felicidade não existe,

Apenas momentos felizes...

Pergunto: então, que sentimento é esse que persiste,

Resiste, e no meu peito finca profundas raízes?

Semeando o bem, vivo e sinto grande paz interior,

Tenho uma vontade indômita de comparti-la.

Meus atos, palavras e gestos, por isso, ressumam amor...

Isto é felicidade, e meu coração a destila.

Seria eu um privilegiado desse indulto,

Vivendo feliz, acreditando nela,

Ou, deslumbrado, parecendo um estulto?

Pois eu te asseguro: ela plenifica o meu ser.

Busquei, do Mestre, nos ensinamentos, a razão dela,

Por isso junto à minha fé, quero propagá-las, enquanto viver!

Lendo, vivendo, pesquisando, fazendo reflexões durante muitos anos, hoje posso dizer com absoluta convicção que a felicidade existe, sim, e junto com a paz mora no coração do homem. A verdade é que o tempo nos faz amadurecer e, espiritualmente, crescer, crescer o crescimento que Dele provém. Deus é amor (Deus caritas est). Citaria, ainda, Abraham Lincoln e versos de Iolando Rizzo. O primeiro afirma: "As pessoas são tão felizes quanto decidem ser", e, a segunda escreve: "Quando vai buscar sua felicidade, aquele que poderia encontrá-la em si mesmo, esconde-a tão bem que não sabe onde está".

Eu reafirmo: Ela está em ti.

Termino dizendo: a felicidade é irmã gêmea da paz. Quem não está em paz, está enfermo, e a enfermidade não se coaduna com a felicidade, e entendendo que paz e felicidade são indissociáveis, um dia, escrevi:

Todos anseiam e buscam a paz,

e se perguntam:

como encontrá-la?

só uma resposta satisfaz:

busca a Jesus, Ele te fala.

Busca-O, segue em paz, e sê feliz!

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