Quando Jesus começou a sua vida pública, Ele fez a sua primeira pregação em Nazaré, terra onde se criou, conforme ouvimos na leitura do Evangelho de São Lucas do domingo passado (Lc 4,16-21). Lá na sua Sinagoga Ele tomou o Livro do profeta Isaias e começou lendo esta profecia: "O Espírito do Senhor desceu sobre mim e me ungiu". Como ungido pelo Espírito, Ele sempre dirá que foi enviado a este mundo pelo Pai para, primeiramente, lançar seu olhar aos sofredores, os quais, segundo Isaías, são os "pobres, cativos, cegos e oprimidos". Estas quatro categorias de pessoas que simbolizam os feridos golpeados pelas misérias daquele tempo, mas que representam os sofredores de todos os tempos.
Olhar para estas pessoas para quê? Jesus leu a seguir em Isaías: "Para anunciar e realizar em favor delas a libertação e a salvação. Ele, o "Ungido pelo Espírito de Deus", veio ao encontro dos sofredores, proclamando a Boa Nova do Evangelho, o ano da graça do Senhor, a fim de libertá-los e salvá-los.
Depois que Jesus proferiu estas Palavras inspiradas de Isaías, muitas pessoas ali presentes se alegraram, outras, porém, se escandalizaram e o expulsaram da cidade. É o que ouvimos na leitura de São Lucas no Evangelho da Missa de hoje - Lc 4,21-30. Por esta razão Jesus declarou: "Nenhum profeta é bem recebido em sua pátria".
Jesus, no entanto, passando serenamente pelo meio deles, continuou seu caminho para cumprir sua missão, escreveu São Lucas.
A palavra Cristão significa também "O ungido", como Cristo é igual a "O Ungido". Desde o nosso Batismo, que recebemos como crianças, somos ungidos pelo mesmo Espírito e tornamo-nos templos vivos dEle e portadores da graça santificante que passou a morar em nosso coração. Por isso dizemos com toda convicção que não tem sentido esperar uma criança ficar grande para merecer receber o Batismo e só então se dar a ela todo este bem e graça. Pois o Batismo é dom gratuito, graça, não é mérito pessoal, basta a fé da família e da Igreja para que este sacramento possa ser concedido ou recebido. Com efeito, quando a criança se tornar adulta, então, ela livremente reafirmará a sua fé, no sacramento da Crisma.
O verdadeiro cristão precisa equilibrar a atitude dos olhos fechados com a dos olhos abertos. Cultivar sim a vida interior na oração e contemplação, sem jamais esquecer de volver o olhar ao redor e de se apiedar dos sofredores: os pobres, os cativos, os cegos e os oprimidos. Em suma, de fazer como Jesus fez. Jesus gostava de se retirar aos lugares desertos e de se recolher nas madrugadas e noites escuras para estar em oração e falar com o Pai no silêncio da vida interior. No entanto, à luz do dia, sabia cruzar os caminhos dos pobres e para com eles ter compaixão.
Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-vos de todo o coração na vida de oração e devoção e de amar todas as pessoas com verdadeira caridade, sobretudo, os pobres e necessitados que vivem entre nós.