Quem nunca tomou um chazinho almejando alguma cura, ou foi atrás de uma benzeção para resolver algum mal do corpo? É claro que, se houve solução, não foi por causa do chá nem da reza, mas eles contribuíram para o aspecto psicológico, dentre aquele conjunto que a boa prática medicinal chama de efeito placebo. Fazem parte de nossa cultura e esses saberes devem ser preservados e divulgados. No entanto, não são ciência e não poderiam se relacionar com a prática médica.
Assim, é muito preocupante que as chamadas "Práticas Integrativas e Complementares em Saúde" estejam sendo consideradas no mesmo patamar que outros conhecimentos científicos. Recentemente, o Conselho Federal de Biologia publicou a resolução 614/2021 que, dentre outras diretrizes, regulamenta a "bioenergética" a ser praticada por Biólogos. Além de ser má fé, estabelece que aquele profissional deverá realizar cursos de aperfeiçoamento com outros especialistas, incluido Químicos, causando preocupação entre esse outros profissionais.
Convém também deixar muito claro que essa denominação pseudocientífica e charlatanesca nada tem a ver com a bioenergia, ramo da ciência que estuda a transformação da energia proveniente de fontes renováveis, especialmente as de origem biológica (daí o prefixo bio), com a finalidade de substituir aquelas de origem fóssil. Associada a ela está a biorrefinaria que é a análoga à refinaria hoje existente para petróleo, carvão e congêneres, e que seria o processamento de biomassa para obter produtos e energia.
Um exemplo é a cana-de-açúcar, da qual são retirados muitos produtos, sendo o açúcar e o etanol os de maior quantidade, e a energia que vem da queima do bagaço e da palha. O termo bioenergia integra o nome da instituição em que trabalho - Instituto de Pesquisa em Bioenergia da Unesp - e não pode ser confundido com pseudociência.
O autor é pesquisador na Unesp - Rio Claro.