Nesta terça-feira (8), primeiro dia letivo de 2022 (leia mais ao lado), a Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Dirce Boemer Guedes de Azevedo recebeu os alunos apenas com merenda seca e infraestrutura limitada. O novo prédio fica na Vila Guedes de Azevedo, Zona Sul, e foi comprado pela prefeitura no ano passado para acolher os estudantes da região do Parque Bauru. No entanto, a cozinha não foi montada a tempo e, por isso, não consegue atender as crianças com refeições completas. Além disso, a secretaria trabalha sem Internet.
Segundo a prefeitura, conforme discutido com o diretor da unidade e pais de alunos em reunião, será distribuída merenda seca até que a cozinha seja adaptada, o que já está em andamento. O Executivo, no entanto, não informou um prazo para concluir os serviços.
Conforme o JC noticiou na semana passada, as vereadoras Estela Almagro (PT) e Chiara Ranieri (DEM), das comissões de Fiscalização e Controle e de Educação, fizeram diligências após denúncias de pais e constataram que a Emef não estava em condições plenas de receber os 430 alunos de 1.º ao 5.º ano, justamente por limitações na cozinha e falta de material didático.
Na condição de anonimato, servidores disseram que contavam apenas com o básico para atender os estudantes e não atrasar o início do ano letivo. Pela manhã, a merenda foi suco, bolacha e banana no lugar de refeições preparadas, como arroz, feijão, carnes e saladas. "Nós sabemos que, para muitos alunos, a merenda escolar é a principal refeição do dia. A criança vai chegar em casa e, muitas vezes, não terá uma comida mais consistente e saudável", avalia um dos funcionários. No entanto, de acordo com a Secretaria de Educação, a merenda seca é balanceada e tão eficaz quanto a convencional.
MAIS ADAPTAÇÕES
Além disso, o prédio ainda precisa de adaptações na rede elétrica e Internet. Outro problema é a falta de portas nas cabines dos banheiros dos estudantes. "Alguns dos nossos alunos são pré-adolescentes, precisam de privacidade", comenta um dos funcionários. Ainda segundo o servidor, parte do material didático também não chegou na nova unidade, assim como documentos da secretaria e os arquivos.
A prefeitura, por sua vez, alega que a "estrutura deste novo prédio é muito melhor do que a sede provisória anterior, uma vez que já era usada como escola".
Sobre a Internet, afirma que o pedido de transferência do local anterior para o atual deve ser feito pelo diretor da unidade escolar à empresa terceirizada. O Executivo também justifica que foi preciso dar "prioridade" a alguns pontos. "Conforme acordado com os pais e tendo em vista a preocupação das famílias, foi dada prioridade à adequação das salas de aula, sala de professores, entre outros locais, para que as aulas pudessem começar imediatamente. Pequenos ajustes na escola ainda estão feitos e não inviabilizam o funcionamento da mesma", conclui.
DESLOCAMENTO
Por conta da mudança de endereço, a prefeitura precisou disponibilizar itinerários nos horários de entrada e saída dos estudantes. São dois ônibus que saem de pontos no Parque Bauru em direção à Vila Guedes de Azevedo, tanto no período da manhã quanto da tarde. "Hoje (terça-feira), nós acreditamos que cerca de 60% dos alunos tenham comparecido no período da manhã, o que não é um número ruim para primeiro dia de aula", avalia um dos servidores.