Rio de Janeiro - Em depoimento no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro nesta quarta-feira (9), durante audiência de instrução sobre a morte do filho Henry Borel, Monique Medeiros disse que Jairo Souza Santos Júnior, o ex-vereador Jairinho, a submetia a uma rotina de abusos e violências físicas e verbais, que teriam começado em novembro de 2020, pouco tempo depois de os dois começarem a se relacionar.
Monique diz ainda que teria sido obrigada por ele a bloquear homens nas redes sociais, a demitir o personal trainner e a apagar fotos de seu Instagram que eram consideradas inapropriadas pelo ex-vereador. "Fui percebendo um controle maior dele, mas eu achava que era ciúme. Como não tive isso no meu casamento, porque o Leniel (pai do menino morto) não era ciumento, eu achava que aquilo era normal, algo sadio de um relacionamento", afirma ela.
Também relatou casos de agressão por parte do marido. "Ele sempre tinha um motivo para me culpar de alguma coisa que eu fazia", diz ela, acrescentando que Jairinho alternava momentos de raiva e de afabilidade.
O CRIME
Monique Medeiros depõe pela primeira vez na audiência de instrução sobre a morte do filho. Ela e o marido estão presos desde abril sob suspeita do homicídio da criança.
O Ministério Público argumenta que o ex-vereador, padrasto do menino, cometeu o crime por sadismo. Pela argumentação da Promotoria, ele tinha prazer em machucar o menino, enquanto Monique, mãe de Henry, tiraria vantagens financeiras da situação. A Promotoria denunciou os dois por homicídio qualificado.
JAIRINHO NÃO FALA
Jairinho começou a depor às 11h17, mas a oitiva durou apenas dez minutos. O ex-vereador preferiu ficar em silêncio, argumentando que não teve acesso a documentos para conseguir prestar o depoimento. Ele disse que não viu, por exemplo, as imagens do IML e das câmeras de segurança do hospital para o qual Henry foi levado.
Membro da equipe de defesa de Jairinho, o advogado Lúcio Adolfo falou que pretende colaborar com a Justiça para que o processo ocorra de forma célere. O advogado defendeu o goleiro Bruno, condenado a 20 anos e 9 meses pelo assassinato de Eliza Samudio.