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Bem-estar no trabalho: nota está abaixo do ideal

Estadão Conteúdo
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Fevereiro está quase no fim e ainda há quem sinta reflexos de esgotamento profissional adquiridos em 2021. Cansaço, estresse, baixa produtividade e negativismo são algumas das consequências da síndrome de burnout, uma das variáveis que influenciaram o Índice de Bem-Estar Corporativo (IBC) médio entre os trabalhadores brasileiros.

De acordo com a startup Zenklub, especializada em cuidado emocional corporativo, que criou o IBC, o índice ficou em 49,25 em 2021, em uma escala de 0 a 100, cujo ideal mínimo é de 78. O dado foi puxado, entre cinco motivos ligados ao bem-estar, pelo alto índice de burnout (veja os outros motivos mais abaixo) e traz alerta para as empresas quanto aos riscos de estafa entre seus colaboradores.

Desde janeiro passado, a síndrome passa a integrar a Classificação Internacional de Doenças (CID-11), lista elaborada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O burnout não foi classificado como uma doença na CID, mas, sim, como um "fenômeno" ligado ao trabalho que afeta a saúde. A condição foi incluída no capítulo de problemas associados ao emprego ou ao desemprego e descrito como "uma síndrome resultante de um estresse crônico no trabalho que não foi administrado com êxito".

Para o mapeamento do IBC, a Zenklub levou em consideração três dimensões do burnout: sensação de esgotamento ou exaustão de energia; aumento da distância mental do trabalho ou sentimentos de negativismo; e eficácia profissional reduzida. Foram entrevistadas mais de 1,6 mil pessoas de 335 empresas de todas as regiões do Brasil.

O índice mais alto de esgotamento, que baixou a nota média do IBC, foi observado na região Nordeste (69,17), seguido de Centro-Oeste (60,42), Sudeste (57,07), Sul (52,58) e Norte (37,5). Além disso, quanto maior o número de colaboradores da empresa, menor tende a ser o bem-estar (leia mais abaixo como é feita a medição). Entre os setores mais 'estressantes', estão: farmacêutico (79,17), recrutamento (75,89), seguros (70,31), logística (69,64) e indústria (69,06).

De acordo com Rui Brandão, CEO da Zenklub, com a inclusão do burnout na lista de doenças da OMS, as empresas passam a ter ainda mais responsabilidade pela saúde emocional de seus colaboradores. "Será essencial o monitoramento de causas e riscos de burnout no gerenciamento da saúde e segurança do trabalho", salienta.

Segundo o CEO, monitorar é o primeiro passo para tratar e prevenir casos de esgotamento. "Faltam ferramentas para mapear a saúde mental dos trabalhadores e muitas empresas ainda estão aprendendo a lidar com o assunto. O IBC vem justamente como uma ferramenta para oferecer esse panorama com base em dados, fazendo com que seja possível olhar não só para o tratamento, como para a prevenção."

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