Articulistas

Guerra e Paz

Claudia Zogheib
| Tempo de leitura: 2 min

Freud, mais precisamente por sua troca de cartas com Albert Einstein, intitulada "Por que a guerra?", sai da neutralidade da poltrona atrás do divã para comentar temas complexos, sociais, escritos antropológicos, acerca da incoerência da guerra. Ambos se exauriram, colocando a questão da pertinência, da existência ou da essência da guerra, e não chegaram senão a demostrar a sua incompreensão diante desta "coisa" que, por colocar em jogo o incalculável, não poderia ser tolerado pela ciência, pelos homens e por ninguém.

Quando os seres humanos são incitados à guerra, podem ter toda uma gama de motivos para se deixarem levar: uns nobres, outros vis, alguns francamente declarados, outros jamais mencionados, mas entre eles está certamente o desejo de agressão e de destruição, que diante das incontornáveis crueldades que encontramos na história e em nossas vidas todos os dias, atestam a sua existência e a sua força.

Situando a pulsão de morte no centro desta reflexão, as ladainhas as quais a destruição dá lugar, onde a observação conserva mais do que nunca a sua validade diante de sua "popularidade", não é de modo algum igual diante de sua importância. Freud diz que a pulsão de destruição, quando voltada para o exterior, para o outro, para o estranho, o hostil, não está longe de colocar em risco a preservação da própria vida que, por assim dizer, destruindo a vida alheia, destrói-se a si mesmo. "Por que a guerra e não a paz?" entre ambas, estão as articulações das duas pulsões que as estruturam: pulsão de vida e pulsão de morte!

A pulsão de morte é silenciosa, e pensando sobre a guerra, nos perguntamos, diante da última palavra de uma reflexão inacabada, se esta cegueira que se opõe de todos os lados a este aparente paradoxo, não se traduz pela rejeição e por uma espécie de repugnância que vários contemporâneos de todos os países estão a se privar de uma resposta de paz a todos os habitantes da terra.

Diante da possibilidade da guerra, nos cabe mais do que indignação. Que possamos nos respaldar em todos os construtores da Paz: Mahatma Gandhi, Madre Tereza de Calcutá, Chiara Lubich, Papa João Paulo II, Martin Luther King, e tantos outros esquecidos!

"E exigimos o eterno do perecível, loucos." Caio Fernando Abreu, Pequenas Epifanias!

Em tempo, este texto foi escrito ao som da música "Terra" de Caetano Veloso.

A autora é psicanalista pela USP, psicóloga clínica (USC), responsável pelas págs. @augurihumanamente, @cinemaeartenodivã

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