Reinaldo Cafeo

Ucrânia, Rússia e a economia brasileira (1)


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Nestes últimos dias o Brasil viveu uma verdadeira "lua de mel" com o capital estrangeiro. Bolsa barata, juros altos, entre outros fatores, ajudaram a derrubar a cotação do dólar, atingindo os R$ 5,00. O Real, até então, era uma das moedas que mais se valorizou no mundo. Quando houve a deflagração da investida militar da Rússia na Ucrânia, os mercados reagiram e a proteção em moeda estrangeira foi inevitáve.

Ucrânia, Rússia e a economia brasileira (2)

Diante deste cenário de incertezas, é bem previsível que os preços subam, portanto, inflação pressionada. Os preços das commodities, por exemplo, tendem a subir. Muito provavelmente os principais Bancos Centrais mexerão na política monetária, sendo mais duros. No caso brasileiro em particular, como os fundamentos da economia de hoje são praticamente os mesmos do ano passado, mesmo que o mercado tenha exagerado na proteção, muito provavelmente sentiremos no bolso os efeitos da crise, quer pela alta do dólar, quer pelo aumento dos preços dos produtos, enfim, dependendo do tempo de duração do conflito o capital estrangeiro tenderá a buscar economias mais seguras que a nossa. Para ajudar, o tensionamento político doméstico potencializará tudo isso. Vamos acompanhar.

Prévia da inflação: maior patamar para o mês desde 2016

O IPCA-15, prévia da inflação do mês de fevereiro, ficou em 0,99%, o maior patamar para um mês de fevereiro desde 2016. Educação e alimentação elevaram a inflação do período. Em 12 meses o índice acumula alta de 10,76%. O índice é um indicativo de como a inflação pode se comportar no mês fechado de fevereiro.

IPCA-15?

O IPCA - Índice de Preços ao Consumidor Amplo, é calculado pelo IBGE e é considerada a inflação oficial do Brasil. Seu cálculo é realizado em todo o País levando em conta o consumo de famílias que ganham até 40 salários mínimos mensais. No mês fechado os preços diários entre o dia primeiro e o último dia do mês, são comparados com o mês anterior. No caso do IPCA-15 o cálculo leva em conta os preços diários entre o dia 16 do mês anterior (no caso janeiro) e o dia 15 do mês corrente (no caso fevereiro), por isso, é considerado prévia da inflação do mês.

Juros domésticos podem subir mais

Caso a inflação de fevereiro feche neste patamar será inevitável elevar a taxa básica de juros nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central. O centro da meta da inflação é de 3,5% para este ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, no limite máximo, a inflação atingiria 5% em 2022. Lembrando que em janeiro o IPCA do mês fechado ficou em 0,54%, portanto, em dois meses, a se confirmar inflação mais elevada em fevereiro, o patamar acumulado seria elevado. Continuo trabalhando com inflação (sem considerar os efeitos da crise Rússia x Ucrânia) na casa dos 6% para este ano.

Dinheiro aplicado: não se precipite

Em tempos de incertezas, e atualmente são muitas, inclusive no tocante a crise geopolítica entre Rússia e Ucrânia, o investidor/poupador, não pode se precipitar. É hora de tomar decisões racionais diante de tanta pressão emocional. Na renda variável, como o mercado de ações, o investidor tem que ter sangue frio. Se nos últimos dias os preços de boa parte das ações subiram, e diante do conflito caíram, o melhor a fazer é esperar a poeira baixar. Renda variável é para o longo prazo. Quanto a renda fixa, os juros em alta apontam para um bom retorno. Em resumo: segure a onda e não faça movimentos bruscos com seu dinheiro.

Mude já, mude para melhor!

Como aceitar que em pleno século 21 ainda tenhamos que conviver com guerras. Definitivamente a humanidade não aprende com seus erros. Lamentável. Mude já, mude para melhor!

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