Geral

14 meses depois de ter alta, paciente ainda convive com trauma da doença

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Apesar de poder estar chegando em sua etapa final, a pandemia ainda deixa profundas marcas físicas e psicológicas em quem enfrentou a doença. É o caso da professora aposentada Idenilde de Almeida Conceição, 61 anos, que, no fim do mês passado, comemorou um ano e dois meses de sua alta hospitalar, após travar uma dura batalha contra a Covid-19. Na época, não havia vacina contra a enfermidade. Hoje, mesmo com três doses do imunizante no braço, ela ainda teme ser acometida novamente pelo novo coronavírus, tamanho trauma que leva do sofrimento que vivenciou.

No corpo, Idenilde carrega cicatrizes das escaras que desenvolveu devido ao longo período de internação e, além de algumas sequelas físicas, também não conseguiu se livrar do medo. Até hoje, não retomou vida social ou mesmo os atos de militância no Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), do qual é integrante de longa data.

Talvez por causa do trauma, Idenilde diz que pouco se lembra de tudo o que enfrentou durante a doença. Com a ajuda dos filhos, ela conta que contraiu Covid-19 em novembro de 2020, sendo internada no dia 17 daquele mês.

"Eu tenho pressão alta e diabetes e fiquei com 70% dos pulmões comprometidos. Sentia um cansaço muito grande e não conseguia respirar. Precisei ficar 16 dias intubada e cheguei a sofrer uma parada cardíaca durante a internação. Também precisei fazer hemodiálise. Meu quadro foi muito grave", relata.

SEQUELAS

Depois de uma longa batalha e com 12 quilos a menos, ela recebeu alta em 23 de dezembro, mas deixou o hospital em uma cadeira de rodas, da qual conseguiu sair 15 dias depois, e com uma escara grande na região das nádegas, que demandou cinco meses de tratamento até a completa cicatrização.

"Porém, fiquei com queloide, que dói até hoje, e vou precisar de cirurgia plástica para ter uma melhor qualidade de vida. Além disso, tenho mau funcionamento dos rins, o que causa alterações, por exemplo, nos níveis de creatinina, ureia e potássio. Tive duas crises no ano passado e precisei ir para o hospital. Faço tratamento com nefrologista até hoje", revela.

Os médicos também identificaram uma trombose na perna direita da professora aposentada, que já foi devidamente tratada. "Todo o processo de enfrentamento da Covid foi muito difícil e me deixou traumatizada. Hoje, quando saio de casa, uso máscara e só vou a lugares em que tiver certeza de que haverá distanciamento entre as pessoas. Mesmo com as três doses da vacina, ainda tenho muito medo de pegar a doença de novo e reviver tudo o que passei", conclui, em tom de preocupação e alerta.

 

Comentários

Comentários