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Interesse por ovo artesanal de Páscoa cresce e mantém produtores otimistas

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 3 min

Faltando pouco mais de um mês para a Páscoa, celebrada em 17 de abril este ano, as produções de ovos de páscoa artesanais e de doces típicos estão a todo vapor. Em Bauru, tanto confeiteiros autônomos quanto proprietários de estabelecimentos que ofertam os insumos, como chocolates e embalagens, esperam vender bem mais este ano, em comparação ao mesmo período de 2021.

Há seis anos na área, Juliana Vitorino, de 42 anos, conta que, neste período, produz de 50 a 60 ovos por dia. Investiu ainda mais neste ano para ter opções praticamente a pronta entrega, além de produções para alérgicos, já que ela recebe muitas encomendas de pessoas com restrições alimentares e percebeu uma oportunidade de expandir as vendas.

"Por conta da alta dos preços de matéria-prima, como chocolates e embalagens, decidi trabalhar apenas com ovos menores, para que os valores continuem acessíveis às pessoas. Estimo que minhas vendas aumentem 300% nesta época, em comparação ao restante do ano", relata.

Quem também sente o expressivo crescimento nas vendas na Páscoa é a confeiteira Deborah Fonseca Ogusku, de 33 anos, que trabalha há quatro anos no segmento. Ela diz que precisa, muitas vezes, contratar serviço de babá para ajudar a cuidar do filho e dar conta de toda a produção.

"Nessa época, consigo fazer um volume alto de dinheiro, porque o número de pedidos chega a quintuplicar. Às vezes, perto da data, nem consigo atender todos os pedidos, por ser um produto artesanal. Mas esse movimento ajuda o ano todo, inclusive, a pagar a terapia do meu filho, que é autista", afirma.

MUDANÇA

Proprietário da Docepan, distribuidora de doces na Vila Cardia que existe há 23 anos, Rogério Neves, de 49 anos, observa uma mudança no comportamento da população que, nas últimas Páscoas, tem dado preferência aos doces artesanais, ao invés daqueles tradicionais e de embalagens coloridas que costumam enfeitar os corredores dos supermercados nesta época.

"Os ovos de Páscoa tradicionais ficaram muito caros, muitas vezes inacessíveis para as famílias. Já os 'de colher', você acaba encontrando bons produtos de R$ 20 a R$ 30, além da grande variedade de opções. Então, isso acabou mudando o perfil do consumidor, que tem aderido a esse novo nicho", explica o proprietário.

Nesta época, o estabelecimento fica 'tomado' por produtos característicos e chega a comercializar aproximadamente 100 toneladas dos mais diferentes tipos de chocolate. Porém, como aumentou a preferência pelos itens artesanais, Rogério explica que passou a investir na venda de gotas de chocolate, que são mais fáceis de derreter e agilizam a produção, ao invés de barras do doce. "E o preço é praticamente o mesmo. Também temos as cascas já prontas, que só precisam ser recheadas", comenta.

PREÇOS

Diante de todas essas vantagens, o empresário estima um aumento de 20% nas vendas, em comparação ao mesmo período do ano passado. "Para contornar os preços, com tudo impulsionado pela inflação, adotamos a estratégia de flexibilizar a forma de pagamento, oferecendo a opção de parcelamento das compras na loja. Isso vai ajudar principalmente as pessoas que aproveitam essa época para fazer uma renda extra", conclui.

 

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