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Bauru de antigamente

Cesar Savi
| Tempo de leitura: 3 min

A vida empresarial e comercial é igual ao ciclo da vida: nascer, viver, morrer. A Casa Maracanã, de Ivan Perroca e seu sobrinho, Paulo Inri Casério, vendia artigos esportivos. Funcionou durante anos e depois fechou. Na Batista, quadra 3, tinha a Casa Nova Tecidos, fundada por João Abo-Arrage, hoje nome de rua.

Durante mais de 60 anos foi administrada pelos filhos do patriarca. Com os falecimentos deles, a loja encerrou a atividade. A Tilibra, fundada em 1928, ficava na quadra 4 da Batista, onde hoje é a Tanger. O slogan era 'Tilibra a sua loja amiga'. Foi considerada como "Mappin bauruense". Essa loja, em São Paulo, era grandiosa, tinha dezenas de departamentos. A Tilibra tinha tudo isso em proporção menor e a comparação era válida. Ela começou com uma portinha na mesma quadra 4. Com a visão empreendedora, comercial e futurista do carioca João Baptista Martins Coube (João Coube), ela foi crescendo sem parar em termos de comércio e gráfica. José Chab Júnior foi assessor de João Coube durante décadas. Os filhos Henrique, Sérvio, Edmundo (foi prefeito de Bauru) e Ruben foram assumindo a administração do complexo. Todos eles tinham porte atlético, altos.

Poderiam ter sido galãs em novelas da Globo. A compra de um presente implicava em uma embalagem caprichada, instituída por Olga Coube, casada com Sérvio Túlio Coube, que valorizava o presenteado e o presenteador. O relacionamento entre clientela e funcionários era muito grande. Em muitos casos, telefonavam para a loja, setor de presentes. Pediam que fosse escolhido uma peça bonita. Davam o nome e endereço para entrega com um cartão. Uma tragédia se abateu sobre a família com o falecimento, em sequência, em cerca de um ano, da mãe, Carmen Coube, e dos filhos Henrique, Sérvio e Edmundo, posteriormente de Ruben. Por razões comerciais, prédio foi vendido para a Tanger e mantém sua estrutura original. A Tilibra comprou uma área na Vila Cardia, onde foi instalado todo o setor gráfico. Na cidade eram fabricados cadernos que implicavam em vários procedimentos. No novo setor, uma máquina faz tudo sozinha. Em uma extremidade é colocada uma grande bobina de papel. Na outra saem milhares de cadernos prontos e espiralados. Custo-benefício compensador. Entrando na Tilibra pela Batista, do lado direito ficava o setor de presentes e utilidades domésticas; depois, o balcão com impressos e livros fiscais; à esquerda, a linha branca, livraria e balcão de pedidos de impressos. No piso inferior, o setor de brinquedos.

Pela entrada da Rodrigues Alves, papelaria, material escolar; no superior, material de escritório, móveis estofados, crediário e sala da diretoria. No segundo andar, máquinas gráficas. Uma cortadora de papel (guilhotina) decepou 4 dedos da mão esquerda de um funcionário. A livraria recebeu autores famosos para manhãs de autógrafos aos sábados. Entre eles, Chico Anysio, Joelmir Betting, Paula Saldanha, Plínio Marcos, com seus palavrões, Lygia Fagundes Telles e ganhadoras de prêmios de literatura infantil. A finalidade foi a de incentivar a leitura. No último andar, produção de livros fiscais. A famosa loja teve como clientela fiel 3 gerações: os pais, seus filhos e os netos. Saudosistas passam pela Tanger para lembrar da sua antiga 'loja amiga'. Salvo engano, o slogan foi criado por Guilberto Carrijo e usado pelas as filiais de Lins, Marília, Pirajuí, Dracena e Rio Preto.

O autor é jornalista, colaborador de Opinião.

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