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Leitura no combate ao bullying

Ana Beatriz Moda
| Tempo de leitura: 2 min

De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil é duas vezes mais suscetível ao bullying em instituições de ensino do que a média geral de 48 países avaliados. Pensando nisso, a escritora Anete Lacerda escreveu o livro infantil "E se fosse você?", da editora Colli Books. Ela mesma enfrentou o bullying na infância por conta do sobrepeso. Hoje, a escritora defende que a leitura é uma arma importante contra a violência.

'Minha filha já é adulta, mas até hoje quando deixo a torneira aberta um tempo maior que o necessário ela diz: 'vai acabar com a água do planeta?'. E ela aprendeu isso aos 3 ou 4 anos. Então, a leitura é fundamental para a inclusão e a cidadania desde muito cedo, porque apresenta outras realidades e outros cenários que fazem a criança amadurecer. O hábito de ler deve ser para sempre", afirma a escritora Anete Lacerda.

Para a educadora parental Monica Pitanga, os livros são muito importantes na prevenção do bullying. "São um recurso terapêutico que nos ajuda a trabalhar valores importantes com as crianças. De uma forma lúdica, as histórias acessam lugares no imaginário infantil e, com isso, fica mais fácil e leve abordar temas como respeito, autoestima, empatia, raiva, medo, confiança, bullying."

Muitas crianças e adolescentes passam boa parte do dia na escola, o que torna esse ambiente propício às boas e más experiências. Por isso, os pais devem ficar atentos aos sinais que as crianças dão. Comportamentos estranhos, violentos ou atípicos devem ser observados.

'AUTOESTIMA

FORTALECIDA'

"Se os pais criam desde cedo o hábito da leitura e fortalecem a autoestima dos seus filhos através de carinho, conhecimento e informação, o trabalho dos educadores é facilitado", afirma Anete.

"O que vai determinar se a escola será traumática ou prazerosa para as crianças que estão fora dos padrões estéticos e sociais é a cultura de respeito às diferenças. Por isso é importante abordar temas como bullying, racismo e gordofobia com os pequenos", complementa a escritora.

O livro "E se fosse você?" é sobre uma menina que sofria bullying na escola, uma história que pode gerar identificação entre as muitas crianças brasileiras. "O livro tem esse poder de agregar conhecimento e valores. A criança leitora não vai ver como natural o desrespeito", explica a escritora Anete Lacerda.

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