De olho no bem-estar animal, uma equipe tem promovido uma espécie de "caça" a gatos de rua toda semana em Bauru. O objetivo é capturar os bichanos, castrá-los e, depois, devolvê-los à mesma colônia na qual estão acostumados a viver. Para tanto, os integrantes usam armadilhas, iscas e sedativos. O método é baseado em uma perspectiva diferente de cuidado com animais de rua e comunitários, pois rompe com o paradigma de recolher o bicho para levá-lo a um abrigo e, posteriormente, tentar uma adoção.
A ação é feita por integrantes da Comissão de Defesa e Proteção Animal da OAB Bauru e conta com apoio de veterinários e projetos parceiros que disponibilizam as vagas para castração. O modelo é baseado na metodologia Captura, Esterilização e Devolução (CED), desenvolvida em 1960 na Inglaterra. Ao retornar esses gatos para as comunidades de origem, a ideia é de que mantenham a mesma vida livre à qual estão acostumados.
De acordo com a presidente da comissão, Thaís Viotto, o propósito principal é auxiliar no controle populacional, tendo em vista uma letargia do poder público nesse quesito. "É importante para dar dignidade aos gatos. Quando você controla a população, eles sofrem menos maus-tratos, porque deixam de disputar espaço, abrigo, comida e reprodução. E sabemos que a adoção, às vezes, é muito difícil, principalmente quando são adultos", afirma.
O trabalho é feito em colônias já mapeadas. O levantamento dessas áreas é realizado pelo Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais (Comupda) desde o ano passado e já identificou a existência de, ao menos, 230 delas pela cidade, mas esse número provavelmente é bem maior (leia mais abaixo). "A partir do momento que você estabiliza a colônia castrando todos, eles não deixam mais gato inteiro (não castrado) entrar. Então, você consegue de fato controlar a população", defende Thaís.
ARMADILHA
Para capturar os gatos, os "caçadores" usam uma armadilha chamada de drop. Consiste, basicamente, em uma gaiola apoiada em uma estaca, com uma corda amarrada. Embaixo, uma isca, geralmente atum. Quando o bichano se aproxima, a pessoa puxa a corda e o animal fica preso. "É preciso paciência, pois pode levar horas. Outra estratégia é não alimentar os gatos da colônia no dia da ação, para que eles procurem a isca na armadilha", conta Thaís.
O drop serve para pegar animais ferais e ariscos, mais selvagens e com poucas chances de socialização com humanos. Já os dóceis são recolhidos, fotografados e colocados para adoção.
Após a captura, o gato é transportado para a clínica onde é feita a castração, com método minimamente invasivo, pois, em pouco tempo, o animal estará de volta ao local onde vive. Todo procedimento de recolhimento, cirurgia e devolução precisa ser rápido: 20 horas no máximo, para evitar estresse do bicho.
AJUDA
O trabalho de captura tem sido feito prioritariamente em um órgão público da cidade, onde 25 animais já foram castrados. No entanto, o objetivo é fazer em outras colônias. Para tanto, a comissão pede a colaboração de cuidadores, informando a existência desses grupos de gatos comunitários.
O contato pode ser feito na OAB Bauru pelo telefone (14) 3227-3636, de segunda a sexta, em horário comercial.