Eles eram vizinhos e "amigos"; um, extremamente invejoso da prosperidade e da vida feliz que o outro aparentava. Um dia, o invejoso recebeu a visita de uma fada que, ouvindo suas lamúrias e, conhecendo seus sentimentos a respeito do vizinho, querendo testá-lo, ofereceu-lhe a chance de realizar um desejo, qualquer que fosse, mas, com uma condição: o seu vizinho receberia o mesmo, em dobro.
O invejoso pensou, pensou, pois sofria muito com a felicidade do "amigo", e respondeu à fada: - Quero que me arranque um olho!
Inspirada neste conto e, como uma associação de ideias, escrevo, hoje, sobre a inveja, também chamada vulgarmente de "olho gordo", pois segundo a crença popular, a inveja é a postura de quem cobiça, exageradamente, as virtudes, posses, conquistas e, até mesmo, as características de outrem. É, em outras palavras, a ação do invejoso.
Tão antigos quanto o próprio homem, os primeiros relatos de inveja vêm de tempos remotos. Na Bíblia, vamos encontra-la quando Caim matou Abel, porque este estava recebendo mais atenção e valorização por parte dos pais. Também, José do Egito foi vendido pelos seus irmãos pelo mesmo motivo: inveja e vingança.
Buscando compreender a vingança, consequência da inveja, chega-se a um estudo científico, coordenado pelo neurocientista japonês Hidehiko Takamashi, do Instituto Nacional de Ciência Radiológica, estudo este chamado: "Quando a sua conquista é a minha dor, e a sua dor é a minha conquista", ele mostra o chamado "schadenfreude", palavra alemã que significa a sensação de prazer que o invejoso tem ao notar o infortúnio do invejado. Ainda, segundo Hidehiko, a inveja se processa no cérebro, na mesma região que a dor física, ou seja, é, literalmente, um sentimento doloroso. Logo, o invejoso sofre com a boa sorte da outra pessoa e, com certeza, envia-lhe pensamentos negativos e doentios.
Esta influência é prejudicial à pessoa a quem se destina, neste caso, ao invejado, caso ele esteja invigilante e permitir tal acesso; naturalmente, também, não é benéfica para o emissor, carregado de perturbações. De acordo com experiências efetuadas por William Tiller, chefe do Departamento de ciências dos materiais, em Stanford, que, há décadas, elabora experimentos para verificar se as intenções humanas podem afetar os sistemas físicos, afirmando que o poder do pensamento, que é a nossa força mental, pode ser arrasador.
Na história, podemos aqui mencionar o pensamento dos Essênios, Vedas e Indus, a respeito, em suas crenças sobre a capacidade da nossa mente em atrair coisas boas ou ruins.
O Dr. Jorge Andrea que percorreu dezenas de países fazendo palestras, informa que pensamentos, emoções e sentimentos harmoniosos, contribuem para manutenção do equilíbrio e saúde física, mental e espiritual do ser humano. O contrário, gera profundas disfunções e distonias, causadoras de desequilíbrio, doenças reversíveis ou irreversíveis, podendo contribuir para a instalação de um processo auto ou hetero-obsessivo. Pense nisso!