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Cidade como sala de aula e Samba na Cidade


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Os percursos a pé, intitulados "Cidade como sala de aula", e a apropriação do espaço da concha acústica do Parque Vitória Régia, com a atividade de extensão "O Samba na Cidade", antes de tudo, são um convite não somente aos estudantes de arquitetura da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design, mas à população em geral, como forma de acolher e construir olhares coletivos sobre a cidade e seu devir. As duas atividades são resultado do envolvimento de professores do Departamento de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo (DAUP) da Unesp - Bauru e fazem parte de discussões multidisciplinares sobre o curso com vistas a uma formação multicultural e crítica, buscando aprimorar experiências no espaço da cidade.

1-"A cidade como sala de aula" inspira-se no livro "City as Classroom: Understanding Language & Media" (1977) de Marshall McLuhan. No curso de arquitetura e urbanismo da Unesp-Bauru, teve início como disciplina optativa (2003) e, posteriormente, como disciplina obrigatória da grade curricular. Foi o produto concreto de uma bolsa de pesquisa de Iniciação Científica (Fapesp), obtida em 2006 e intitulada "Um Percurso nas Obras dos Arquitetos Fernando Pinho, João Cacciola, Ícaro de Castro Mello & Eduardo de Castro Mello, Vítor Lotufo e Vilanova Artigas (Jaú e Londrina)": Geografia de uma Modernidade e Ensaio de Catalogação. Em 2018, numa parceria com o SESC Bauru, o percurso foi incorporado no âmbito do Programa de Turismo Social, como parte das ações comemorativas dos 70 anos do Turismo Social do Sesc São Paulo.

A ideia dos percursos nasceu do desejo de compartilhar as experiências formativas adquiridas no doutorado sanduíche do coordenador, no Departamento de História da Arquitetura (DSA) do Instituto Universitário de Arquitetura de Veneza (IUAV). Durante as viagens de estudos com os alunos, o Instituto incorporava e integrava as diversas dimensões do passado, do presente e do futuro. Do passado, porque é produto dos vários anos de estudos, pesquisas e leituras realizadas por especialistas. Do presente, pois parte do pressuposto que, é somente a partir da leitura das camadas dos tempos da cidade contemporânea que se pode projetar sua outra dimensão, o futuro.

2- O "Samba na Cidade" é um projeto de extensão universitária que nasce com o intuito de fortalecer e consolidar o vínculo da universidade com a comunidade, a partir de saberes sobre o samba, importante gênero musical e em Bauru, em especial. Tem o propósito de abrir o debate sobre os processos de produção do espaço urbano atrelados às manifestações culturais do samba, trazendo à tona mecanismos que valorizem, incentivem e divulguem essa cultura. O tema surgiu a partir das intensas discussões promovidas no seminário de mesmo nome que, desde o ano de 2017, traduz discussões feitas no âmbito da Universidade em ações práticas de ensino, pesquisa e extensão.

Por sua importância para a cultura nacional, reconhecer através da interpretação das condições em que o samba se desenvolve, qual a população que o vivencia, quais dificuldades o afetam e como a tradição tem se mantido entre as gerações são informações que colaboram para entendermos todo o universo no qual esse gênero musical está inserido. Através da oralidade, esses conhecimentos são passados e perpetuados entre as famílias e a sociedade da cidade de Bauru, e é justamente por meio de depoimentos e relatos dessas vivências que vamos celebrar a cultura da cidade no seu espaço público mais importante. As duas atividades, portanto, fazem parte das aulas do curso de arquitetura, aulas que foram suspensas em função da pandemia, retirando dos alunos ingressantes a possibilidade de viverem experiências na e sobre a cidade.

Mas esses alunos, em sua maioria vindos das mais variadas regiões do Estado de São Paulo e do nosso país, que logo irão habitar temporariamente a cidade de Bauru, muitas vezes sentem-se como estrangeiros na cidade e são reconhecidos pejorativamente como tal e como promotores da desordem. No entanto, trazem em suas mentes a oportunidade de construir uma Bauru paralela, mais amigável, mais compreensiva e mais atenta às necessidades de quem ainda não faz parte de seus mecanismos ou não recebe reconhecimento social.

Nesse sentido, o que propomos é um ato político deliberado, que possa explorar a pluralidade da cidade na ocupação de seus espaços, para evitar políticas e práticas de marginalização para que, a partir da apropriação de seus espaços por todos, possamos ser capazes de transformar irreversivelmente o espaço e a cidade, espaços precários, de crise e geradores de intolerância.

O autor é o Conselho de Curso de Arquitetura e Urbanismo - DAUP – FAAC Unesp Bauru.

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