Tribuna do Leitor

Maio: mês das mães e das lutas!

Osvaldo Gradella Junior
| Tempo de leitura: 2 min

Maio é mais conhecido por ser o mês das mães, comemoração merecida, porém deveras mercantilizada. Mas maio também é um mês de lutas para os trabalhadores e para aqueles que defendem a extinção dos famigerados hospitais psiquiátricos, responsável por destruir vidas daqueles que acometidos por sofrimento psíquico não tinham outra forma de cuidado.

Há 35 anos, no município de Bauru, aconteceu o II Congresso dos Trabalhadores em Saúde Mental, conhecido como Congresso de Bauru. Nesse evento, ocorrido em dezembro de 1987, foi deliberado o lema "Por uma sociedade sem manicômios", a constituição do Movimento Nacional da Luta Antimanicomial e uma data para ser o dia de luta desse movimento: o dia 18 de maio.

Naquele momento histórico, Bauru vivenciava uma experiência inovadora na gestão da cidade em todos os setores, mas particularmente na saúde pública e na saúde mental, com a implementação das unidades básicas de saúde em todas as regiões da cidade e com a criação do primeiro Núcleo de Apoio Psicossocial (NAPS), antes do SUS (1990) e da lei 10.216 da Reforma Psiquiátrica (2001). Foram essas experiências que possibilitaram a realização do evento e trouxe para cá, militantes de todos os setores envolvidos nessa luta e se tornaram referências para o Brasil e para outros países..

Naquele evento também acontece a primeira passeata pelo fim dos hospitais psiquiátricos e o manifesto distribuído nas ruas ganhou espaço internacional e se mantém como emblemática manifestação do Movimento Nacional da Luta Antimanicomial.

Qual a relação entre as mães e o Movimento? Foi naquele evento que o movimento incorpora definitivamente a participação dos familiares e nesse cenário as mães dos internos em hospitais psiquiátricos e usuários dos primeiros serviços de saúde mental são uma das protagonistas fundamentais nessa luta. Não só em relação aos cuidados de seus filhos mas também como pessoas participando ativamente da implementação e controle dos serviços de saúde mental que se espalhavam pelo país.

Não só naquele momento histórico, mas até hoje as mães continuam na luta para cuidar adequadamente de seus familiares em sofrimento psíquico, mesmo que em momentos de retrocesso imposto por um governo de extrema direita e de destruição das políticas públicas duramente conquistadas pela luta dos brasileiros.

O presente adequado para essas mães deveria ser a ampliação dos serviços de saúde mental, não só em quantidade mas também em qualidade, em horários mais amplos que contemplassem os trabalhadores, com equipes completas e maior infraestrutura dos serviços, que garantiria que os cuidados fossem adequados e não as sobrecarregaria e nem aos trabalhadores dos serviços de saúde mental.

Por uma sociedade sem manicômios!

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