Saúde

Cigarro eletrônico na mira


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Apresentados inicialmente como alternativa aos cigarros comuns, os cigarros eletrônicos ganharam "roupa nova" e se tornaram mais viciantes, segundo especialistas. Tudo para conquistar um público jovem, que desconhece os malefícios equivalentes da "versão tecnológica". Isso acontece no momento em que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu formulário para receber contribuições técnicas e científicas a respeito do uso de dispositivos eletrônicos para fumar (DEF), cuja venda é proibida no Brasil desde 2009.

Apesar da restrição, cerca de 2 milhões de brasileiros fazem uso dos cigarros eletrônicos, segundo estimativas da BAT Brasil (antiga Souza Cruz), a maior empresa de tabaco do País. Por enquanto, um relatório parcial indica a manutenção do veto e a intensificação da fiscalização do comércio ilegal dos cigarros eletrônicos, também conhecidos como pods e vapers, entre outros nomes.

Para pressionar contra qualquer flexibilização no País, o Centro de Estudos sobre Tabaco e Saúde da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/Fiocruz) lançou uma campanha sobre os riscos do uso e da liberação dos cigarros eletrônicos. Além de materiais informativos, a iniciativa conta com um abaixo-assinado on-line, para que a sociedade se manifeste contra a autorização desse tipo de material pela Anvisa.

Segundo Silvana Rubano Turci, pesquisadora da Fiocruz, nos últimos anos, a indústria do tabaco tem pressionado a Anvisa para que haja a liberação dos DEFs no País. A agência iniciou, em 2019, um processo regulatório para a discussão e atualização de informações técnicas sobre o tema dos cigarros eletrônicos, e agora está na fase final de elaboração do relatório de Análise de Impacto Regulatório (AIR) desses dispositivos. A palavra final cabe à Diretoria Colegiada, que decidirá sobre o assunto em votação.

A justificativa da indústria é que os produtos causam menos prejuízos à saúde dos usuários e funcionam como uma alternativa aos cigarros tradicionais. A alegação é rebatida por pesquisadores da Fiocruz e por estudos internacionais.

"A Anvisa está sendo muito pressionada para liberar a comercialização e fabricação desses produtos. Por isso, essa campanha é tão importante nesse momento de definição. Não podemos admitir que mais um produto tóxico chegue ao mercado. É nossa obrigação, como órgão de ciência, mostrar que esses dispositivos eletrônicos não trarão benefício algum e também representam um risco para a saúde das pessoas", disse Turci, em texto publicado pelo Portal Fiocruz.

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