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28 milhões de doses de vacinas podem perder validade

FolhaPress
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Brasília - O Ministério da Saúde pode perder até o fim de agosto quase 28 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 compradas a R$ 1,23 bilhão caso os imunizantes não sejam aplicados até lá.

Os lotes se acumulam no momento em que a cobertura está estagnada e o governo Jair Bolsonaro (PL) trata com desdém a perda de fôlego da campanha de vacinação.

São ao menos 26 milhões de unidades da AstraZeneca e 1,92 milhão de doses da Pfizer que perdem a validade nos próximos dois meses (11,72 milhões e 16,35 milhões vencem, respectivamente, em julho e agosto).

Os dados, que são mantidos sob sigilo pela Saúde, foram levantados pelo TCU (Tribunal de Contas da União).

A descoberta foi feita por auditores da Secretaria de Controle Externo da Saúde (a SecexSaúde) do tribunal, em inspeção ao Dlog (Departamento de Logística em Saúde) do Ministério da Saúde em maio deste ano.

Segundo o relatório, cada dose da vacina AstraZeneca custou R$ 41,83. No caso da Pfizer, o valor é de R$ 66,89. Os lotes que podem vencer somam R$ 1,09 bilhão e R$ 128,66 milhões, respectivamente.

Os dois modelos de vacinas são apontados pelo próprio Ministério da Saúde como prioritários no reforço da imunização contra a Covid-19.

"As informações trazidas pela SecexSaúde são de causar perplexidade, em especial aquelas atinentes ao estoque de vacinas que poderão ter seus prazos de validade expirados nos próximos meses", disse o ministro Vital do Rêgo, relator do processo, em despacho desta quarta-feira (15).

Os técnicos do TCU também apontaram que a Saúde já poderia ter tomado diversas medidas para evitar a perda das vacinas, como fortalecer campanhas de comunicação, além de doar as doses a outros países.

SEGREDO

Na terça-feira (14), a Saúde pediu ao tribunal para manter esses dados em segredo, usando um parecer da AGU (Advocacia-Geral da União) que argumentou que o TCU não tem competência para anular o sigilo sobre os produtos. A pasta prometeu apenas divulgar informações sobre produtos já descartados e não respondeu se guarda vacinas vencidas da Covid-19.

 

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