Washington - Em uma apresentação na manhã desta terça (12), o mundo teve acesso às primeiras observações científicas do Telescópio Espacial James Webb. Indo das profundezas do cosmos a um exoplaneta a mil anos-luz de distância, elas demonstram de forma efetiva o potencial do novo satélite.
A apresentação começou com os confins do Universo, retomando a imagem mostrada no dia anterior em evento na Casa Branca. Batizada de Primeiro Campo Profundo do Webb, ela mirou o aglomerado de galáxias SMAC 0723. A potente gravidade desse conjunto de galáxias a cerca de 5 bilhões de anos-luz de distância gera um efeito de lente que amplifica a imagem de astros ainda mais distantes - pelo menos um deles, destacado pela agência na apresentação, é visto na imagem como era 13,1 bilhões de anos atrás.
Um dos objetivos centrais do Webb é justamente enxergar além do que o Hubble foi capaz, eventualmente detectando as primeiras galáxias a se formarem no Universo. O Big Bang aconteceu há 13,8 bilhões de anos, e o novo telescópio espacial espera ver objetos como eles eram até 13,5 bilhões de anos atrás.
O truque para ver o Universo bebê é possível graças ao fato de que a velocidade da luz, embora muito grande, é limitada. Quanto mais longe está um objeto, mais tempo a luz teve de viajar para chegar até nós, o que significa que temos uma imagem mais antiga dela. Isso se aplica mesmo a objetos astronômicos mais próximos: quando olhamos para o Sol no céu, nós o estamos vendo como ele era há 8,3 minutos, já que esse é o tempo que a luz emitida lá leva para chegar até aqui, cruzando a distância de 150 milhões de km (ou 8,3 minutos-luz).
Quando observamos objetos a vários bilhões de anos-luz de distância, o enxergamos como eles eram há bilhões de anos. E o Webb fará isso melhor que qualquer outro telescópio, não só por conta de seu espelho de 6,5 metros (o maior já lançado ao espaço), mas pelo fato de operar com luz infravermelha (a única disponível para a observação de objetos extremamente distantes, representativos de como era o Universo quando tinha apenas 300 milhões de anos de idade).
Além de apresentar essas primeiras imagens, o evento foi uma grande celebração do sucesso do Webb, projeto conduzido em parceria por Nasa, ESA e CSA (respectivamente agências espaciais americana, europeia e canadense) que consumiu duas décadas e mais de US$ 10 bilhões. Lançado no foguete europeu Ariane 5 em dezembro de 2021, ele passou os últimos seis meses em fase de comissionamento no espaço, preparando seus sistemas para operação plena. A partir de agora, o programa científico começa. Muitas descobertas estão por vir.