Por enquanto, nenhum caminhão da coleta de lixo saiu às ruas de Bauru, na manhã desta quarta-feira (20), embora a Justiça do Trabalho tenha determinado ontem o retorno imediato de 45% dos funcionários da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) que fazem o serviço e mantêm 100% de adesão à paralisação deflagrada na última segunda (18). Isso acontece porque o Sindicato dos Servidores Municipais de Bauru (Sinserm) foi comunicado da decisão há pouco e agora está definindo junto com a direção da empresa pública a retomada do trabalho.
A greve foi deflagrada porque os trabalhadores não serão contemplados pelo reajuste no vale-compras cedido pela prefeitura aos servidores diretos, do Departamento de Água e Esgoto (DAE) e Funprev. Uma reunião de conciliação foi marcada para esta quinta-feira (21), às 14h30, em Campinas, entre a Emdurb e o Sinserm, que representa os funcionários.
Na decisão deste terça-feira (19), o desembargador Francisco Alberto da Motta Peixoto Giordani, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), da 15º Região, em Campinas, ponderou o direito dos trabalhadores à greve, mas também a importância dos serviços essenciais à população para determinar o retorno de 45% dos trabalhadores, pouco mais da metade do que pedia a Emdurb, que requereu o retorno de 80%.
NOTIFICAÇÃO
No entanto, a decisão se refere aos coletores e motoristas que atuam na prestação dos serviços funerários e de coleta de lixo. "A manutenção de percentual mínimo de trabalhadores e de atendimento à comunidade deve ponderar o interesse público e a possibilidade do exercício do direito de greve, inclusive à vista das consequências daí advindas para os cidadãos".
O magistrado também estabeleceu multa de R$ 1.000,00 por funcionário que não cumprisse a decisão, enquanto o valor pedido pela empresa foi de R$ 100.000,00 diários por funcionário.
MANIFESTAÇÃO
Segundo números do Sinserm, durante o segundo dia de greve, nesta terça-feira (19) foi mantida a adesão de 100% entre os coletores de lixo e cerca de 50% entre os funcionários dos demais setores. Por volta das 15h30, a Emdurb confirmou que até o final da tarde 218 funcionários estavam em greve, sendo 179 da coleta de lixo orgânico, coleta seletiva e motoristas, 32 funcionários da varrição, quatro do Cemitério do Jardim Redentor e três do ecoponto.
Pela manhã, após os funcionários realizarem protesto em frente ao Palácio das Cerejeiras, os trabalhadores demonstraram sua insatisfação não só por não terem recebido o reajuste do vale-compras, mas também por outras questões, como as condições precárias de trabalho, em reunião com a prefeita Suéllen Rosim (PSC) e o presidente da empresa, Everson Demarchi. "Essa greve expõe todo o sentimento dos trabalhadores de insatisfação ao longo dos anos", afirmou o representante do Sinserm.
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O encontro foi transmitido pelas redes sociais pessoais da prefeita, que chegou a ter dificuldade em falar, mesmo com uso de microfones, devido aos protestos dos funcionários.
Como no momento em que afirmou que as ações que têm sido tomadas pela companhia são para garantir os empregos e salários com pagamentos em dia. Ao que os trabalhadores afirmaram se tratar apenas de cumprimento das responsabilidades da empresa.
O presidente Everson Demarchi reforçou que novas ações serão promovidas no sentido de equalizar a situação financeira, como adequação do quadro de servidores, inclusive com o lançamento do Plano de Demissão Voluntária (PDV), além da manutenção das revisões de contratos junto à prefeitura. "Essas ações são mais morosas. Não temos o retorno em uma semana ou 15 dias, por isso foi feita a proposta de aumento em janeiro, que se a empresa conseguisse se recuperar antes, a gente faria como antecipação", garantiu.