Tribuna do Leitor

A luz de Natasha!

Professor Sinuhe, sem saber o que é ser ser!
| Tempo de leitura: 2 min

A quadra 1 da rua Clóvis Melchert não é um templo do futebol, mas é cheia de "crack", vizinhos e curiosos doam o que sobra e o que não se cobra aos moradores da calçada que não é da fama e o duro chão que é cama!

Embaixo de árvores, entre corujas, fidelíssimos cães e cadelas, morcegos, os em ruas de situação sabem que parecem oposição! Entre eles e elas, os nomes são codinomes sem sobrenomes e com nomes sobre eles e elas!

Negra, magra, de cabelo rebeldemente lindo, olhos qual bola de gude com jabuticaba , não está Iracema, mas, Natasha! A abordagem ou saudação é sempre: "me dá uma ajuda doutô!". Há cerca, sem cerca, de três anos, a conheci e perguntei-lhe sua história, disse que tinha família, mas inspirada em Lenine, tinha como lema "a lua me chama, eu tenho que ir pra rua".

Ajudei-a com o vil metal, esquinas, portas de padaria, açougue, farmácia, lá está Natasha se perde, não se acha!

Mais magra, mais descabelada, personagem de Walking Dead, não pude fazer nada mais uma vez, não consegui lhe dar dentes, não conquistei sua verdade nas minhas mentiras.

Ela continua, é um verbo de ligação sem complemento, até quando vai estar sem ser ser?

Meses atrás, Natasha aparece gravemente grávida, seria a chance de encontrar a luz dando à luz?

Não tive coragem de lhe perguntar do pai, do filho e nem do espírito nem tão santo!

Andando sem rumo, sem solução, pensava sem luz na obscura luz dela, sou adotivo, mas tive duas mães e o rebento de Natasha será o "meu guri" do Chico? Encontro Natasha sem barriga e, curioso e nem tão solidário, penso se abortou, gerou ou abordou!?

Pergunto a um dos personagens da rua: "e a Natasha, teve nenê?".

Ele responde: "sim , mas está com a tia dela que vai criar, professor, lhe dei a fita, tem um trocado?". Caminhando pela Nossa Senhora de Fátima, encontro o anjo ébano de nome Natasha, abordo - a primeiro: "Teve nenê?!". "Tive sim, doutô, gêmeos: Júlio César e Bianca, tão com a minha tia". "Doutô, paga um refrigerante pra mim?".

Paguei!

Não meus pecados, não minha falta de saber o que fazer, comprei o líquido que se misturaram às minhas lágrimas, há um túnel no fim da luz?

 

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