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Codese e I-Nova pensam a Bauru para o futuro

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Com foco em ajudar Bauru a se planejar e a entrar para a rota de desenvolvimento contínuo nas próximas décadas, a sociedade civil organizada deu start, nos últimos meses, a uma associação que formou o Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Bauru (Codese). Sem fins lucrativos ou vínculos partidários ou políticos, a iniciativa tem como missão estudar os pontos mais críticos do município para propor possíveis soluções ao poder público.

Além disso, o Codese visa ser o guardião dos projetos de longo e médio prazos para que, após serem validados, eles sejam executados e entregues nos períodos previstos, independente da alternância de gestões.

Para pensar a Bauru do futuro, o Codese conta hoje com o I-Nova, um centro de estudos mantido por executivos e empresários, que tem como objetivo traduzir em indicadores a situação de cada área do município.

Os assuntos são discutidos por 6 câmaras técnicas do Codese, formadas por voluntários com experiência, que se debruçam sobre 10 temas: Educação, Empreendedorismo, Energia, Saúde, Meio Ambiente, Governança, Mobilidade, Urbanismo, Segurança e Tecnologia e Inovação. Tópicos estes contemplados pela agenda 2020/2030 de sustentabilidade da ONU.

INDICADORES

Um dos pontos que mais chama atenção quanto aos dados na plataforma mantida pelo I-Nova é o tratamento de apenas 4,86% do esgoto que é coletado em Bauru, o que tem afastado investimentos do município.

Em segundo, mas não menos preocupante, aparece o manejo de águas. Além da escassez enfrentada em períodos de estiagem, a cidade acumula perdas na rede de 49,22%, decorrente de vazamentos ou "gatos". E estimativas apontam que, se investimentos milionários não forem feitos nos próximos anos, a crise hídrica tende a piorar.

Outro indicador também impactante e que destoa da média nacional é o de drenagem urbana, que está presente, atualmente, em apenas 19% da cidade.

Quanto aos resíduos sólidos urbanos, a plataforma aponta que o município recicla apenas 1,68% dos resíduos coletados.

AÇÕES ESTRUTURANTES

Colocar em pauta projetos estruturantes para resolução de problemas crônicos, como os citados nas páginas anteriores, tem sido a missão do Codese. "Para bons projetos não faltam recursos, dá para planejar e ir buscar soluções para todas essas questões. Acredito que é possível ser um pouco mais criativo e sair do dia a dia da zeladoria para transformar o futuro e sermos uma cidade mais sustentável", pontua Luiz Franzolin, presidente do Codese.

Para o presidente executivo do I-Nova, Pedro Fiorelli, Bauru precisa pensar também em medidas conjuntas, considerando os 39 municípios de sua Região Administrativa.

"Na administração, não é possível gerir aquilo que a gente não mede. Hoje, os programas e as políticas do município, em geral, não são baseadas em dados, mas em achismos ou situações conjunturais sobre aquele momento. Já os indicadores nos apontam caminhos, e com eles podemos sugerir saídas, inclusive, não pensando só em Bauru, mas também na região como um todo, o que é importante", observa Fiorelli.

ORÇAMENTO

COMPROMETIDO

Outro diagnóstico que tem preocupado o Codese é o comprometimento de quase todo o orçamento municipal, estimado em R$ 1,2 bilhão para 2022.

"Considerando os gastos com folha de pagamento de ativos e inativos, Educação e Saúde, o percentual que sobra para investimentos é muito baixo, não supera 5%. Então, não sobra dinheiro para as obras estruturantes da cidade, por isso precisamos pensar nos projetos a longo prazo", pontua Carlos Trecenti, presidente da Câmara Técnica de Gestão Pública e Parcerias.

Sozinhas, as obras de macrodrenagem na av. Nações Unidas e de término da ETE Vargem Limpa, por exemplo, custariam juntas ao município quase 1 bilhão de reais, o que demanda planejamento de longo prazo. "E sabemos que falta de continuidade faz parte da cultura política do País. Então, o Codese vem para mergulhar nos problemas atuais e ajudar o município a enxergar uma diretriz além dos 4 ou 8 anos de mandatos. Para seguirmos com planos estruturantes sem interrupção e sem desperdiçar recursos", completa Trecenti.

MODERNIZAÇÃO

A entidade tem se debruçado ainda sobre a questão da modernização, automação e desburocratização de processos na prefeitura.

"Precisamos fazer mais com os mesmos recursos e facilitar o trabalho dos cidadãos e empreendedores, dando mais transparência para o processo todo. Tecnologia da informação é fundamental para se ter uma organização eficiente. Hoje, você bate o carimbo em uma secretaria e tem que atravessar a cidade para bater o carimbo em outra pasta", observa Trecenti.

Modernização que demandará também alteração do Plano de Cargos Carreiras e Salários (PCCS), o que o Codese informa estar trabalhando junto com secretários municipais e buscando especialistas de fora para auxiliar no processo.

"Sabemos da baixa capacidade do município em realizar grandes investimentos. Com o diagnóstico feito, cabe-nos, agora, refletir sobre o prognóstico: seguir fazendo as mesmas escolhas esperando que os resultados sejam diferentes? Ou ter um olhar novo para o futuro, somando esforços com outros municípios da região, promovendo parcerias público-privadas e buscando soluções inovadoras para fomentar os tão necessários investimentos para a cidade?", questiona Fiorelli.

SERVIÇO

Acesse a plataforma I-Nova pelo: https://inovacits.com.br

 

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