Articulistas

Jô Soares

Adilson Roberto Gonçalves
| Tempo de leitura: 1 min

Jô Soares foi múltiplo. Mais um que perdemos em humor e em inteligência. São antológicas suas sacadas fantásticas, usadas tanto em suas 'cartas abertas ao presidente', publicada na Folha de S. Paulo em que se assinava "influenciador analógico", quanto nos romances. Desde os títulos sugestivos, caminhava por enredos de humor muito elegantes. Preterido pelo jornal que fora um desses comentários, comparando as mentiras da tia do zap com alguma herança cultural de crenças e crendices nossas, ficam os registros de admiração quase unânime a sua obra.

Das entrevistas televisivas - um marco - até questões linguísticas despertou, como a origem da palavra encrenca, que ainda não resolvi. Em seu livro "O homem que matou Getúlio Vargas" Jô Soares menciona que teria vindo da expressão alemã "eine kranke", ou algo parecido que seria traduzido como 'uma doença', não confirmada por ninguém e, pelo contrário, usada como argumento por supostos linguistas para essa origem pitoresca.

Seu nome era José Eugênio, um contraponto muito importante ao meu personagem Tunéscio, o que nada vê e em tudo acredita. Do lamento, fica o respeito a quem pôde viver contribuindo significativamente para a arte e a cultura nacionais. Pergunto se, agora, Matinas Suzuki poderá concluir a trilogia da "autobiografia não autorizada" de "O livro de Jô"?

 O autor é pesquisador da Unesp em Rio Claro-SP.

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