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Função Paterna

Claudia Zogheib
| Tempo de leitura: 3 min

Desde o nascimento do filho, os pais tentam a partir dos cuidados diários com seu bebê estabelecer uma convivência e reconhecimento onde a função paterna e materna estão interligadas e são complementares.

A função de amamentar imprime o estabelecimento de um vínculo que acontece não só para nutrir, mas também para organizar o ego rudimentar do bebê que se estabelece com o nascimento e necessita não só do alimento, mas também para que a partir das experiências vividas em sua rotina ele seja capaz de tornar-se individualizado.

O bebê cresce e, mais ou menos com 1 ano e 8 meses, ele não somente internaliza a relação triangular de unidade entre ele e seus pais, mas também sua existência individual, e neste momento ele está pronto para ser introduzido pelo pai (ou quem faz este papel) na experiência da cultura, que servirá como base para o pensamento simbólico.

Este pai que vem construindo desde o nascimento uma relação participativa e individual com seu bebê tem, a partir deste entendimento emocional, a função de relacionar seu filho com as experiências de simbolização, e neste momento ele o introduz na experiência do universo simbólico e da castração: ele apresenta o mundo e a cultura para seu filho, relaciona valores, limites, normas, desejos, experiências vividas, com aquilo que não lhe representa perigo, e neste ponto não podemos esquecer que tudo acontece muito mais pela experiência emocional do que pela fala, ou seja, ao brincar, se experencia o brincar e o aprendizado acontece, ao conviver, se experencia a convivência e o aprendizado pelo exemplo e reconhecimento das normas acontece.

Quanto mais valorizada é a cultura e o senso de distinção das diferenças entre os pais dentro da mãe, mais este pai vai conseguir exercer o seu papel no universo simbólico do filho. É preciso reconhecer que entre os pais há diferenças, mas nem por isto um sabe mais que o outro, um é melhor que o outro, apenas são diferentes.

O exercício da função paterna pressupõe muito mais do que a simples presença masculina. Falar de função não é falar de um simples agente de paternidade biológica, mas sim de um operador simbólico capaz de estruturar e impactar a construção psíquica e o desenvolvimento do filho.

Freud dizia que quando um bebê vem ao mundo, três pessoas desejam: o pai, a mãe e o bebê. Esta frase tenta explicar a força em que está envolvida a concepção e a vida, e o quanto a paternidade e a maternidade nascem a partir da relação com o bebê, ou seja, é constituída a partir do encontro, portanto, são funções mentais.

O pai introduz seu filho no mundo, e quando isto acontece de forma satisfatória, este filho será alguém capaz de dividir sua realidade pessoal, transformando e sendo transformado pelo mundo e pela cultura.

O nascimento de um filho é marcado por muitos acontecimentos em pouco espaço de tempo, e a presença do pai desde o nascimento é tão fundamental quanto importante, importância que segue todo o percurso do desenvolvimento até a autonomia.

Este texto foi escrito ao som da música: "Isn't This A Lovely Day" Ella Fitzgerald e Paul Weston.

 A autora é psicanalista pela USP, psicóloga clínica, formada pela USC, responsável pelas páginas @augurihumanamente, @cinemaeartenodivã.

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