No ano de 1822, a atuação política dos brasileiros, desde os mais radicais até os moderados, passou a ter amplo destaque devido à presença de inúmeros homens de bem e de bons costumes que eram os maçons, se constituindo na elite pensante, cultural e econômica da época, dentre eles o ministro e conselheiro José Bonifácio de Andrada e Silva.
O episódio que ilustra essa situação foi o envio de tropas portuguesas ao Rio de Janeiro para conduzir o Príncipe de volta à Portugal, mas graças à pronta atuação dos maçons que o cercavam, resultou na sua decisão de permanecer no Brasil e proclamar em 9 de janeiro o famoso "Dia do Fico".
No dia 13 de maio do mesmo ano, o Senado da Câmara, atendendo sugestão da Maçonaria, concede a D. Pedro o título de Protetor e Defensor Perpétuo do Brasil, e no dia 2 de agosto o futuro imperador era iniciado na Ordem, fazendo parte da Loja "Comercio e Artes na Idade do Ouro".
Consta nos anais históricos e fidedignos da Maçonaria, preservados em seus arquivos secretos e invioláveis, que no dia 20 de agosto Joaquim Gonçalves Ledo, 1º Vigilante da Loja, que assumiu a presidência dos trabalhos, proferiu veemente discurso, demonstrando com sólidas razões que as circunstâncias políticas do rico, fértil e poderoso Brasil exigiam a independência, cuja moção foi amplamente debatida pela assembleia que aprovarou o ato libertador da pátria, marcando para o dia 12 de outubro, data do aniversário de D. Pedro I.
No entanto, em 7 de setembro, o Príncipe Regente, ao receber das Cortes Portuguesas correspondências exigindo seu imediato retorno a Portugal, com ameaças de deserdação impostas pelo seu pai, D. João, em favor de D. Miguel, tudo se precipita.
Tremendo de raiva, atira as correspondências ao chão e com espada empunhada brada em alto e bom som: "Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, juro fazer a independência do Brasil. Brasileiros, a nossa divisa de hoje em diante será Independência ou Morte!". E, assim, estava oficialmente proclamada a independência do Brasil.
Decorridos 200 anos, temos hoje uma data para refletir e reverenciar a memória daqueles homens do passado que nos legaram uma pátria livre, fazendo dela brotar as mais belas virtudes sociais de um povo belo, gentil, cortês, hospitaleiro e trabalhador, cujos herdeiros somos todos nós.
O autor é formado em História, funcionário público estadual, membro da Loja Deus, Pátria e Família de Bauru e colaborador de Opinião.