Lastimável o pronunciamento de Bolsonaro no dia 7 de setembro. Especialmente por ser ele o presidente da nação, alguém de quem se espera um mínimo de postura e dignidade.
Utilizando verbas públicas, a pretexto de comemorar a independência do Brasil, transformou o ato em um grande comício grosseiro e sem conteúdo. Seu baixíssimo nível intelectual o impediu de falar sobre a importância histórica da data e o quanto ainda temos por avançar.
Pior, ao tentar usar o espaço para fazer sua campanha, sem nada para apresentar de bom, repetiu os famosos ataques a seus adversários e à democracia, com sua verborragia intestinal. Tão grotesca quanto seu mito, a massa ensandecida vibrava. O ápice dessa manifestação dantesca e constrangedora, foi o coro tangido pelo grande mentecapto, a gritar: "Imbrochável! Imbrochável! Imbrochável! Foi aí que tudo brochou de verde e amarelo. Brochou a importância da data (para os verdadeiros patriotas). Brochou a história heroica dos que morreram resistindo aos portugueses que não aceitavam a independência. Brochou a língua pátria com a vulgaridade da oratória. Brochou nossa bandeira, esquecida num canto enquanto o povo aplaudia um aviltante paspalho. E para encerrar a pantomima, o Excelentíssimo, soltou um sonoro e desafinado "Iuhuuuuuuuu!"
Cheguei a cogitar que todo esse "mise-em-scène" fosse uma cortina de fumaça. Algo para desviar a atenção do público sobre o enriquecimento familiar com a compra mais que suspeita de 107 imóveis, sendo 51 com dinheiro vivo (tipo de transação usual em transações criminosas). Porém, a personalidade rudimentar de nosso presidente não poderia me fazer supor tal engenhosidade. Naquele momento constrangedor, creio que era apenas Bolsonaro sendo Bolsonaro.
Talvez Freud explique essa necessidade de autoafirmação da virilidade, comum àqueles que já a perderam... Mas acho pouco provável, enquanto existir plateia tão ignorante quanto, disposta a manter com regozijo, o culto à boçalidade.