O Lions Clube terá que devolver R$ 1,3 milhão à sede da entidade nos Estados Unidos. O dinheiro estava destinado a custear 12,5 mil fotocoagulações no Hospital Estadual (HE) de Bauru em pacientes com retinopatia diabética (complicação provocada por danos aos vasos sanguíneos do olho e que pode culminar em cegueira irreversível). Segundo o clube de serviços, esse tratamento parou de ser feito há mais de um ano na unidade e, assim, o prazo para aplicação do montante expirou. A Secretaria de Estado da Saúde, por sua vez, afirma que os procedimentos não deixaram de ser realizados no hospital. No entanto, não informou quantos foram executados neste ano e nem se há fila de espera pelo tratamento.
No começo de 2020, conforme noticiou o JC, uma parceria entre os 13 Lions Clubes de Bauru e região, Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), Estado e município pretendia zerar a fila de espera por detecção e tratamento de retinopatia diabética. Para tanto, foram obtidos US$ 391 mil via Lions Clubs International Foundation e Fundação Mórmon. Com os recursos, foram disponibilizados dois retinógrafos em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município e um terceiro no Ambulatório Médico de Especialidades (AME). O dispositivo faz a detecção da doença.
Já a máquina de fotocoagulação a laser foi comprada para o HE, único hospital público que trata patologias do tipo na região. Vale lembrar que problemas relacionados à visão e ao diabetes constituem uma das principais áreas de atuação dos voluntários do Lions em todo o mundo.
REPASSES
Os repasses relativos às aplicações a laser estavam sendo feitos ao Estado conforme realização dos procedimentos. O último custeio foi enviado em agosto do ano passado, segundo Manoel Messias Mello, diretor internacional do Lions na América Latina e Caribe. "É frustrante, mas tomamos a decisão de devolver o dinheiro. Tentamos contato várias vezes com o Estado nos últimos meses, mas não tivemos resposta", lamentou o dirigente, durante lançamento da pedra fundamental do Lar Escola Santa Luzia para Cegos, em Bauru, no final do último mês.
PROTOCOLO
Na ocasião, Messias ainda complementou que uma das preocupações do Lions é que os pacientes com retinopatia diabética ficam, na verdade, em uma fila comum de oftalmologia, em vez de possuírem um protocolo específico para passar pela fotocoagulação. "Essas pessoas não são identificadas por um código na fila, mostrando que são diabéticos e que precisam do tratamento a laser nos olhos. O que advogamos é para criar uma fila própria a esses casos", defende.
Procurada pelo JC, a pasta estadual da Saúde não informou se tais pacientes possuem protocolo específico para tratar essa complicação do diabetes. Disse, ainda, que o governo segue com o programa Corujão da Saúde na área de oftalmologia para agilizar o diagnóstico e tratamento de pacientes em todo o Estado, com a oferta de fotocoagulação nessa força-tarefa.