São Paulo - A duas semanas da eleição, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL), aumentaram o tom nos ataques nos espaços de propaganda no rádio, na televisão e na internet.
A maior guinada foi nas propagandas da TV, onde ambos iniciaram a campanha, no final de agosto, evitando citações ao adversário.
O presidente da República passou a usar a maior parte do seu tempo da propaganda eleitoral para atacar o petista.
O ápice foi no horário eleitoral desta quinta (15), quando Bolsonaro não apareceu no programa de quase três minutos no horário nobre da televisão. O espaço foi ocupado por uma peça publicitária, com uma atriz, mulher e negra, que prometia dizer a "verdade sobre Lula".
A propaganda usou o exemplo de um "bandido assaltando uma mulher" para explicar uma das anulações da condenação de Lula no STF (Supremo Tribunal Federal), que decidiu que a vara de Curitiba não deveria ter julgado o caso do ex-presidente.
Na reta final, a linha mais agressiva será dominante, dizem analistas políticos. Os temas corrupção e pautas de costume devem pautar a propaganda do candidato do PL.
OFENSIVAS
Lula também teve mudanças no tom em parte da sua propaganda eleitoral.
O petista tem dividido o tempo em três frentes: defesa às ofensivas bolsonaristas, exaltação ao seu período como presidente e ataques ao atual presidente.
Na defesa, o PT veiculou uma propaganda ironizando campanhas de que um governo do partido irá fechar igrejas, transformar o Brasil num país comunista ou quebrar a economia. Um fantasma aparece na sala repetindo as ameaças, que são contrapostas por um ator. "Não acredite em velhos fantasmas", conclui o locutor.
A campanha de Lula também usa seu tempo na TV, o maior entre os candidatos à Presidência da República, para atacar Bolsonaro em pontos como rejeição entre as mulheres, discurso de ódio e defesa das armas.
Críticas contra o presidente foram ao ar também quando a campanha do PT exibiu relato de uma mulher lamenta a perda de entes queridos na pandemia. Ao transmitir falas de Bolsonaro minimizando os perigos da Covid, uma máquina monitora o batimento cardíaco emite som de perda de sinal e morte.