Conceitualmente, independência significa a qualidade de se autogovernar enquanto Estado, segundo suas próprias diretrizes normativas, não se sujeitando a nenhum outro. No sentido político, converte-se em Soberania. Afinal, o que nós, Nação Soberana, Povo Cidadão, devemos celebrar?
Qual é o motivo de tantas bandeiras em verde e amarelo, se a maioria vive em tons opacos, em preto e branco ou até invisíveis aos olhos dos seus governantes? Qual é o verdadeiro sentido desta "autonomia" concedido a cada ser humano pertencente a este solo, por direito?
Respostas óbvias, porém ocultas sob o obscuro manto de interesses perversos e convenientes. Terra Pátria que nunca foi a mãe, mão gentil para abrigar e acolher de forma equânime toda a multiplicidade étnica e cultural que floresce em nossas veias.
Tristeza não tem fim, diz o Tom, mas falta chegar um pouco só de felicidade àqueles desfavorecidos de recursos, àqueles que vivem à margem, à míngua, mas que são os doadores do tempo, da energia, do suor das braçadas que levantaram as pontes, os edifícios, as Casas Grandes desta imensa Senzala Colonialista, travestida de ideal democrático, na qual choram de fome, frio, e de sede de justiça social, aquela que permite existir o inviolável e consagrado constitucionalmente, Princípio da Dignidade Humana.
Quantos poetas contaram desde os navios negreiros, o quanto há de riquezas usurpadas deste solo e atiradas além Mar, insculpidas nos tesouros nacionais da Inglaterra e de Portugal, principalmente?
Ora esta, aportaram as naus soberbas na Bahia e dali converteram índios em objetos de catequização e as mulheres… até hoje choram as milhares de Marias e Clarices, sangrando a dor pungente de ser privado daquilo que se é… de seus valores, mas autênticos, das suas poucas vestes, mas sobretudo de suas almas desnudas e repletas de inocência.
Independência ou Morte?
"Morte" aos que apunhalam ferozmente a Nação Brasileira, uma morte lenta para lembrar-lhes o quanto custa perder a Vida de quem já nem o pouco possui. "Morte" aos padrões ultrapassados de lidar com todos os recursos disponíveis, tornando o sustento da economia algo possível para todos e não para os poucos sortudos e privilegiados.
"Morte" às ideias infames de esconder a transparência de todos os atos políticos, e deixar o engodo deflagrar em toda a Rede a mentira vulgar, a vaidade disfarçada de elegância e a nenhuma vontade solidária de estender a mão até a urna que acolhe toda a gana e a expectativa de nos tornarmos gente pensante, capaz de acompanhar as ações deste eleitos e cobrar-lhes o preço, instigar-lhes a dar uma resposta e digna de ser pronunciada.
Vida! Vida que venha trazer abundância, águas e matas preservadas, nutridas e compartilhadas com todos os seres habitados.
Vida longa ao Rei, e a todo reinado, aos condes, aos mascates, aos coletores de impostos! Vida longa aos súditos crédulos que como na sentença condenatória do Cristo, em plebiscito, urravam livrando Barrabás.
A bandeira do Divino rasga o véu, o vento do desalento deste povo de fé, massacrado pela ignorância mantida a juros altos que sustentam a luxúria e a opulência do Centro do Poder.
Povo desditoso, criativo e presunçoso que com a barriga vazia e os olhos sem ver beleza, baloiça todos os "coronéis" na rede esplêndida, entoando um hino diferente daquele conhecido; uma espécie de gemido abafado, suspiro estridente, uma voz de quase um calar-se, e que ainda não aprendeu a dizer basta; e deseja a vinda de um salvador supremo que possa lhes oferecer a taça da vitória, conquistada às custas de milhões de lágrimas aflitas.
A autora é advogada e escritora.