Viver Bem

Aquecer alimentos no micro-ondas é seguro?


| Tempo de leitura: 3 min

Sempre que se fala em cozinhar no forno de micro-ondas, surge a pergunta: faz mal à saúde? Não há motivos para preocupação com a radiação emitida pelo eletrodoméstico, garante a Organização Munidal de Saúde. No entanto, há outros aspectos que devem ser levados em conta, segundo reportagem publicada pelo jornal argentino La Nación.

Algumas pesquisas mostraram, no passado, que os vegetais perdem parte de seu valor nutricional no micro-ondas. Por exemplo, descobriu-se que 97% dos flavonóides - compostos vegetais que têm benefícios anti-inflamatórios e ligados à redução do risco cardíaco- são perdidos nos brócolis. Isso corresponde a um terço a mais de dano do que a fervura.

Já um estudo de 2019 que reexaminou a perda de nutrientes do brócolis no micro-ondas observou que estudos anteriores variavam no tempo de cozimento, temperatura e se o brócolis estava ou não na água. A pesquisa descobriu que um tempo mais curto (um minuto no micro-ondas) não comprometeu o conteúdo nutricional. "O micro-ondas mostrou ser melhor na preservação de flavonóides em comparação com o vapor", escreveram os pesquisadores.

Não há resposta simples para saber se vegetais no micro-ondas reterão mais ou menos nutrientes do que "O tempo ideal é diferente para cada vegetal. Quando você considera os métodos comuns de cozimento doméstico, o micro-ondas pode ser melhor para muitos vegetais, mas provavelmente não para todos", diz Xianli Wu, principal investigador e cientista do Centro de Pesquisa em Nutrição Humana de Beltsville do Departamento de Agricultura dos EUA.

Outro estudo evidencia essas diferenças: os pesquisadores compararam o conteúdo de fenólicos - compostos associados a vários benefícios para saúde - em vegetais depois de fervidos, cozidos no vapor ou no micro-ondas. Os dois últimos métodos causaram perda no conteúdo fenólico em abóbora, ervilha e alho-poró, mas não em espinafre, pimentão, brócolis ou vagem. Também foi avaliada a presença de antioxidantes, e os vegetais se saíram melhor quando levados ao micro-ondas do que fervidos.

Sobre alimentos colocados no micro-ondas em recipientes de plástico, cientistas alertam para o risco de ingerir ftalatos. Quando expostos ao calor, esses aditivos podem penetrar nos alimentos. "Alguns plásticos não são projetados para irem ao micro-ondas, porque contêm polímeros para torná-los macios e flexíveis que derretem em baixas temperaturas e podem vazar durante o cozimento no micro-ondas se a temperatura exceder 100ºC", diz Juming Tang, professor de Engenharia de Alimentos da Universidade do Estado de Washington, nos Estados Unidos.

A melhor maneira de minimizar os riscos é utilizar outros materiais, que são seguros para os micro-ondas, como cerâmica. Se usar recipientes de plástico, a dica é evitar aqueles que perdem a forma e os velhos e danificados, que são mais propensos a vazarem químicos. Também é possível verificar se possuem o símbolo universal de reciclagem, geralmente na parte inferior do produto. Aqueles com o número 3 e a letra V ou PVC contêm ftalatos.

Existem outros problemas potenciais de alimentos no micro-ondas, como a distribuição de calor desigual e as altas temperaturas usadas. O ideal é utilizar o aparelho para reaquecer em vez de cozinhar, pois pode causar cozimento irregular. Mas o reaquecimento dos alimentos também tem riscos. Eles devem ser esquentados a 82 graus para matar as bactérias nocivas e, como as bactérias podem crescer cada vez que os alimentos esfriam, você não deve reaquecê-los mais de uma vez. Especialistas garantem que, por usarem radiação eletromagnética de baixa frequência (mesmo tipo usado por lâmpadas e rádios), não há riscos.

 

Comentários

Comentários