O período eleitoral é sempre um momento de estresse, em especial para os eleitores mais engajados. A ansiedade que começa com a divulgação das pesquisas eleitorais, chega ao seu ápice neste domingo, dia das eleições e, para alguns, é ainda mais intensa no momento da apuração dos votos.
Para Wagner de Lara Machado, doutor em psicologia e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), este sentimento está diretamente relacionado à expectativa em relação ao resultado. Tal ansiedade é ainda potencializada pelas mídias sociais. O psicólogo afirma que "a experiência digital faz com que se viva mais intensamente a polarização."
Para Maria da Glória Calado, psicóloga e conselheira vice-presidenta do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP-SP), a situação do País e as condições sociais da população são fatores determinantes no pleito deste ano. Ela explica que "a violência política expressada por ataques a jornalistas, assassinatos de indivíduos por motivações de escolha partidária, os reflexos da pandemia na saúde mental e condições sociais do Brasil são fatores agravantes para a ansiedade eleitoral em 2022".
Medidas que geralmente são indicadas para uma boa manutenção da saúde mental podem ajudar. Fazer atividades físicas, exercitar práticas meditativas, ter uma rotina organizada e se alimentar bem são parte das recomendações dos especialistas. Veja outras dicas.
> LIMITE O USO DAS REDES SOCIAIS
No dia da eleição é comum que as pessoas sejam afetadas pelo chamado "Fomo" (do inglês "fear of missing out" ou "medo de ficar de fora", em português), que indica o temor que algumas pessoas têm de que algo importante aconteça enquanto elas não estejam presentes ou acompanhando. Isso faz com que o indivíduo esteja sempre online e receba uma quantidade muito grande de informações, o que pode ser uma fonte de estresse. Os psicólogos consultados recomendam que as redes sociais sejam utilizadas com cautela para que as atividades da rotina, como lazer, sono e trabalho não sejam negligenciadas e a pessoa consiga focar no presente.
> FIQUE PERTO DE PESSOAS CONFIÁVEIS
Ter por perto uma rede de apoio também pode ser benéfico. Segundo Maria da Glória Calado, "quando as pessoas ficam mais isoladas, elas tendem a ficar mais nervosas e ansiosas, então estar em um grupo pode ajudar a pessoa a se acalmar". Por isso, dialogar com amigos e familiares é essencial. Para Machado, ter com quem conversar, desabafar e falar sobre possíveis aflições pode ser uma maneira de encarar os problemas e, consequentemente, aliviar a ansiedade.
> FOQUE NO AUTOCUIDADO
Ter uma rotina é sempre uma boa ferramenta para controlar a ansiedade. Por isso, os profissionais consideram importante planejar com antecedência o melhor horário e trajeto para ir votar e pensar nas outras atividades que serão desenvolvidas ao longo do dia. Os especialistas ainda recomendam que momentos de autocuidado, como o horário de sono, da alimentação e do banho sejam priorizados.
> ACEITE AS INCERTEZAS
Participar do processo eleitoral é uma etapa importante da democracia e, por isso, as consequências são encaradas em comunidade. De acordo com Machado, é importante aceitar que o indivíduo, sozinho, não está no controle desse processo. Calado ainda alerta para o momento da apuração dos votos. É importante que os apoiadores de todos os candidatos saibam que "a apuração passa por diversos momentos, em especial no pleito presidencial. Então, não considere que a fotografia do momento será, necessariamente, o resultado". Ela ainda sugere que, se a apuração é uma fonte de angústia, não acompanhar este processo a todo momento é uma boa opção. Assistir ou não a contagem de votos não altera os resultados.
> FUJA DOS EXTREMOS
No dia da eleição as pessoas podem estar mais estressadas e a polarização mais exacerbada. Calado recomenda que, por isso, provocações de motivação política sejam ignoradas, em especial as mais desrespeitosas. Machado indica distanciamento das narrativas que reforcem a polarização. Segundo ele, raramente alguém se identifica 100% com um dos extremos do espectro político e, por isso, deve se evitar a crença de que quem pensa diferente é um inimigo. Para ele, a conversa com quem está disposto a dialogar abertamente deve ser estimulada, inclusive após as eleições.
> SE PRECISAR, PROCURE AJUDA
Apesar da ansiedade ser normal conforme o pleito se aproxima, Calado alerta que não conseguir dormir ou comer e apresentar sintomas físicos, como falta de ar, podem ser um sinal de alerta que não devem ser ignorados. Nesses casos, o indivíduo deve buscar ajuda profissional especializada. Procure a Unidade Básica de Saúde ou o Centro de Atenção Psicossocial mais próximo da sua residência. Em caso de emergência, entre em contato com o Samu ligando para 192. Converse com um voluntário do CVV ligando para 188 (chamada gratuita a partir de qualquer linha telefônica fixa ou de celular de todo o território nacional) ou acesse http://www.cvv.org.br