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Persistência em cada movimento

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Do jovem recém-formado que entregou currículos de bicicleta por toda a cidade até se tornar um dos mais renomados fisioterapeutas esportivos de Bauru, houve muito esforço. Mas, com uma fórmula que envolve amor ao próximo e à profissão, além de persistência, Giancarlo Fellipe, 56 anos, construiu uma trajetória pioneira neste segmento e conduz, há mais de duas décadas, uma equipe de profissionais em seu centro de fisioterapia esportiva Gian Sport Fitness.

Respeitado no meio, ele trabalhou para o Noroeste e o Bauru Basket e, até hoje, segue reabilitando atletas profissionais, incluindo alguns nomes famosos. Pelas mãos de Giancarlo já passaram, por exemplo, o jogador de basquete Leandrinho e os futebolistas Otacílio Neto e Cristian, ex-Corinthians.

Além de melhorar a qualidade de vida de jovens até idosos, o fisioterapeuta também dá aulas na Unip, onde busca transmitir seu espírito de dedicação à profissão a seus alunos. Casado com Cláudia Aparecida Silva Fellipe, 55 anos, sua primeira namorada, Giancarlo tem dois filhos: Juan Carlo, 33 anos, e Matheus, 30 anos. Nesta entrevista, o profissional conta um pouco de sua carreira bem-sucedida, fala da família e de uma outra grande paixão: velejar. Leia, abaixo, os principais trechos.

Jornal da Cidade - Há quanto tempo trabalha como fisioterapeuta?

Giancarlo - Tenho 22 anos de formação, mas também sou professor de educação física. Quando comecei, a fisioterapia esportiva não era muito conhecida no Interior. Fui atleta, corria em pista de atletismo, via o pessoal se machucando e não tinha nenhum profissional especializado para ajudar na reabilitação. Eram massagem, bolsa de calor, infravermelho, spray e pomada para dor. A recuperação demorava e era mais comum a reincidência de lesões.

JC - Onde o senhor nasceu e como chegou até Bauru?

Giancarlo - Em Presidente Prudente, mas vivi em Botucatu até os 22 anos, quando me formei em educação física. Depois, fui morar com minha esposa, Cláudia, em Naviraí (MS), para trabalhar. Lá, tivemos nosso primeiro filho, o Juan Carlo, que nasceu com atresia de esôfago com fistula traqueal. Voltamos para Botucatu para tratá-lo na Unesp. A Cláudia era bancária e precisou retornar para Naviraí, enquanto fui dar aulas em escolas, em Botucatu. Na Unesp, reencontrei o professor Jonas, que eu tinha auxiliado em sala de aula quando ainda estava cursando educação física. Contei a ele a história do Juan e, quando a Cláudia veio nos visitar, fomos até a casa dele. O professor ligou para um sobrinho, em Brasília, que era o presidente do banco em que minha esposa trabalhava. Assim, conseguimos a transferência dela para Bauru, uma cidade que eu já conhecia, por ter sido voluntário na Apae.

JC - O começo na cidade foi difícil?

Giancarlo - Era início da década de 1990. Fomos morar no Geisel. Eu estava desempregado e comecei a entregar currículos de bicicleta, quando me deparei com a Marathon, onde consegui uma oportunidade. Percebi que as pessoas idosas não recebiam tanta atenção dos professores e foquei nelas. Com isso, meu nome começou a crescer junto a este público. Ganhei uma sala própria e me tornei o personal da Terceira Idade. Ainda na década de 1990, a USC abriu o curso de fisioterapia, resolvi prestar e entrei. O número de alunos na Marathon continuou crescendo e idealizei o Physical Center, para um atendimento mais personalizado. O espaço foi montado com equipamentos importados e foram contratados mais professores. Os médicos começaram a indicar o serviço a seus pacientes. E o Noroeste também começou a mandar atletas para lá.

JC - O início da sua trajetória na fisioterapia esportiva não foi intencional, então?

Giancarlo - Não. Comecei a receber atletas, inclusive amadores, no fim da década de 1990. Fui o primeiro fisioterapeuta de Bauru a seguir na área do esporte. Eu aliava a fisioterapia com as técnicas de educação física e os equipamentos modernos, então, conseguia recuperar estes atletas mais rápido.

JC - Como chegou ao Noroeste e ao Bauru Basket?

Giancarlo - Fiquei 11 anos na Marathon e, em 2000, decidi ter meu próprio espaço. Aluguei uma casa e passei a atender também atletas do Bauru Basket. Fui fisioterapeuta contratado do time de 2001 a 2017 e, do Noroeste, de 2001 a 2011, chegando a voltar depois. Viajei para muitos lugares com as equipes. Na época, fiz especialização e mestrado. Também passei a dar aulas de educação física e fisioterapia na Unip. Nesse meio tempo, o Centro de Fisioterapia Esportiva foi crescendo, até chegarmos a este prédio (no Parque Paulista). Hoje, tenho uma equipe de quatro fisioterapeutas, incluindo meu filho Matheus, e três professores de educação física.

JC - O senhor cuidou de atletas conhecidos?

Giancarlo - Sim. Tratei muitos atletas de alto rendimento, incluindo alguns famosos, como o Leandrinho, que atuou no Bauru Basket e na NBA; e o Otacílio Neto e o Cristian, que jogaram no Corinthians. Agora estou reabilitando o Lucas, que é de Bauru e joga no sub-20 do Flamengo. Ele se machucou e, em 15 dias, já está recuperado. Tem um futuro promissor.

JC - O que acredita ter sido fundamental para sua trajetória bem-sucedida?

Giancarlo - Amor ao próximo, à profissão e persistência. A dedicação ao trabalho se converte em reconhecimento não apenas da sua capacidade profissional, mas também da sua conduta humana. Além de alguém com habilidade técnica, as pessoas precisam de carinho, atenção, e busco ensinar isso aos meus alunos, para que eles sejam profissionais empenhados em fazer o bem.

JC - Além de trabalhar, o que mais gosta de fazer?

Giancarlo - Gosto de velejar, pescar, acampar, ficar em meio à natureza. Vivo na correria com a clínica, os alunos, e preciso recuperar as energias. Tenho um veleiro em Avaré e o coloco na água umas duas vezes por mês. Levo os filhos, a esposa, meus pais. Consigo me desligar de tudo e esquecer os compromissos um pouco.

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