Tribuna do Leitor

Natureza & academia

Carlos R. Ticiano
| Tempo de leitura: 3 min

Depois de muito relutar, mas por razões de saúde, passei a fazer caminhadas e confesso que não sabia o que estava perdendo. Comecei alternando entre o período da manhã, vendo o sol chegando e o período da tarde, vendo o sol indo embora. O único embate foi sair debaixo das cobertas de manhã, ou desligar a televisão à tarde.

Opção tomada, ainda sonolento vesti uma roupa adequada, um par de tênis e fui ao encontro de novas aventuras. A ideia era apenas dar uma volta do quarteirão, mas para minha surpresa, enquanto caminhava, fui descobrindo detalhes despercebidos da natureza e do modo de se vestir e andar das pessoas.

A cada novo roteiro que traçava, fui descobrindo ruas ainda arborizadas, pássaros nos galhos das árvores, borboletas sobrevoando jardins e o cotidiano de pessoas no seu vaivém. Algumas como eu, caminhando sozinhas, outras com o seu cachorrinho, inúmeras a caminho da escola, do trabalho.

Foi justamente numa dessas caminhadas pelo bairro, considerado um polo comercial, devido a quantidade de estabelecimentos comerciais, que deparei-me com uma academia. Reduzi os passos e fiquei parado em frente por alguns minutos, olhando aquelas pessoas enclausuradas e aglomeras, praticando vários tipos de exercícios.

Num ambiente climatizado, com sistema de som e imagens televisivas, pedalando bicicletas ergométricas, levantando halteres, andando sobre esteiras ergométricas, saltando sobre camas elásticas, deitadas sobre bancos supinos, entre outros aparelhos de ginástica. Todas voltadas para as janelas de vidro, que retratavam o ambiente lá fora.

Continuei minha caminhada, imaginando o que leva uma pessoa a se isolar dentro de uma academia, com a finalidade de derramar suor, pagando mensalidades. Qual o prazer em se exercitar sem sair do lugar? Provavelmente, a maioria teria uma resposta convincente, pelo menos sob o seu ponto de vista. Afinal, têm coisas na vida, que nem Freud explica.

Se elas soubessem como é agradável e prazeroso, se encontrar com as pessoas, desejar-lhe um bom dia e muitas vezes parar pra trocar umas palavras. Sentar-se no banco da praça para descansar um pouquinho, passar na padaria pra tomar um cafezinho, adquirir um jornal na banca da esquina e voltar para casa mais disposto. Respeitando a opinião de cada pessoa, ainda acho, que elas não sabem o valor de se fazer uma caminhada.

Em um local fechado, pedalar uma bicicleta parado, levantar pesos variados, caminhar sobre esteira é mais eficaz do que fazer caminhadas, corridas e andar de bicicleta? Precisamos ser mais resiliente e insistente, para exercitarmos nossos sentidos e desentulharmos a nossa cabeça, mesmo rodeado de concreto, carros, barulho e poluição.

Para liberar endorfina, adquirir vitamina C, aumentar a oxigenação cerebral, extravasar a ansiedade e relaxar as tensões do dia a dia, basta colocar o corpo em movimento. Não deixe a preguiça impedi-lo de sair debaixo das cobertas e nem tão pouco se deixe aprisionar-se entre quatro paredes. Fazer exercícios, não é uma obrigação, mas sim um prazer.

Desligue o ar condicionado e venha sentir o vento nos cabelos, o sol no rosto e desfrutar do que a natureza lhe oferece gratuitamente. Qualquer atividade física, se torna prazerosa se realizada ao ar livre.

Você não sabe o que está perdendo!

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