Brasília - Um novo bloqueio de R$ 2,6 bilhões sobre as emendas de relator, usadas como moeda de troca em negociações políticas, deixou o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), sem emendas para agradar aliados a quatro meses da disputa pelo comando da Casa.
A trava nas verbas irritou Lira, que agora pressiona o Ministério da Economia a desbloquear o dinheiro. Com o novo bloqueio, o total de emendas de relator congeladas chega a R$ 6,8 bilhões.
A estratégia da cúpula da Câmara é pedir para que o governo faça um pente fino nos ministérios e encontre gastos que possam ser adiados.
Isso abriria caminho para que o dinheiro das emendas seja novamente liberado e usado para contemplar parlamentares próximos a Lira, que poderiam ajudá-lo a garantir a recondução no comando da Casa. A eleição para a presidência da Câmara deve ocorrer em fevereiro de 2023.
O bloqueio das emendas é delicado do ponto de vista político, a ponto de o Ministério da Economia ter escondido a informação do congelamento da verba às vésperas da eleição.
Com isso, Lira ficou praticamente sem dinheiro para agradar aliados e assegurar apoio na votação de fevereiro, quando começa a próxima legislatura. As emendas de relator somam R$ 16,5 bilhões no Orçamento de 2022, mas apenas R$ 7,7 bilhões estão livres de bloqueio. Desse valor, só R$ 900 milhões estão efetivamente disponíveis ?e essa verba já está comprometida por tratativas feitas antes da eleição.
Para novos acordos políticos com base nas emendas, a cúpula da Câmara precisa que o ministro Paulo Guedes (Economia) recue e descongele o dinheiro.
Sob a perspectiva da área econômica, não há neste momento como fazer novos desbloqueios, a não ser que técnicos atestem a redução de alguma outra despesa obrigatória.