A medicina passou por transformações nas últimas décadas, com avanços nos exames, tratamentos e tecnologias. Em Araçatuba, duas trajetórias ajudam a mostrar essas mudanças: a do pediatra Luiz Geraldo Nogueira Fonseca, de 98 anos, que continua em atividade, e a do geriatra Luís Fernando Zonzini Salvariego, que atua no cuidado à população idosa.
As histórias foram reunidas por ocasião do Dia do Médico, celebrado no domingo (18), e mostram diferentes gerações de profissionais que compartilham a valorização da relação entre médico e paciente.
Uma carreira que atravessa gerações
Nascido em Araçatuba, em abril de 1928, Luiz Geraldo deixou a cidade em 1946 para estudar Medicina na então Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro. Inicialmente, pretendia cursar Engenharia, mas mudou de ideia durante a viagem para prestar vestibular em São Paulo.
“Eu saí de Araçatuba para prestar vestibular em São Paulo, disposto a fazer engenharia. Mas, durante a viagem, pensei: eu não desenho bem e não gosto de planejamentos, então, acho que estou no caminho errado”, recorda.
A identificação com as Ciências Biológicas o levou à Medicina. “Pensei que poderia ser mais útil fazendo Medicina. E tomei essa decisão”, conta.
Quando voltou a Araçatuba para exercer a profissão, encontrou uma estrutura de saúde limitada. Segundo ele, a cidade contava com uma Santa Casa com poucos recursos, uma casa de saúde particular, um laboratório clínico e um aparelho de raio-X. Não havia serviço de pronto-socorro.
“Não havia praticamente especialistas, eram todos médicos e cirurgiões gerais”, lembra. Sem a variedade de exames disponível atualmente, o diagnóstico dependia principalmente da avaliação clínica.
O pediatra também construiu carreira acadêmica como professor titular de Farmacologia na área de Odontologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araçatuba, onde permaneceu até se aposentar, em 1998.
Ao comparar diferentes períodos da profissão, ele destaca a importância de preservar princípios que considera fundamentais, independentemente dos avanços tecnológicos.
“Dedicação, honestidade e confiança entre o profissional e o paciente”, resume.
Os desafios do envelhecimento
Em outra área da medicina, o geriatra Luís Fernando Zonzini Salvariego acompanha os desafios relacionados ao envelhecimento da população.
Para ele, o atendimento à pessoa idosa deve considerar não apenas as doenças, mas também a autonomia e a história de cada paciente.
“Cuidar da pessoa idosa é olhar além das doenças: é reconhecer sua história, respeitar suas escolhas e preservar sua autonomia”, afirma.
O médico explica que o acompanhamento geriátrico envolve prevenção de complicações, tratamento de doenças crônicas e orientação aos familiares.
“Quando unimos atenção clínica, escuta e vínculo, podemos aliviar sofrimentos, fortalecer a funcionalidade e favorecer uma vida com mais bem-estar e alegria”, diz.
Luís Fernando também defende que o avanço tecnológico seja acompanhado de comunicação clara e respeito às decisões dos pacientes.
“Na sociedade moderna, também é essencial comunicar-se com clareza, orientar decisões compartilhadas e usar a tecnologia sem perder de vista o cuidado humano.”
As experiências dos dois profissionais mostram diferentes momentos da medicina, mas convergem em um ponto: a importância da confiança e do respeito na relação com os pacientes.
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