O Impostômetro atingiu a marca de R$ 3 trilhões em tributos pagos pelos brasileiros no dia 28 de setembro de 2026, nove dias antes do registrado em 2025. O dado reforça uma tendência de antecipação da marca e reacende o debate sobre o peso da tributação no País.
Em 2025, os mesmos R$ 3 trilhões haviam sido alcançados em 7 de outubro, 25 dias antes de 2024, quando o montante foi registrado em 1º de novembro. A sequência mostra que o volume contabilizado pelo Impostômetro vem atingindo esse patamar cada vez mais cedo. Criado pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o Impostômetro estima, em tempo real, o volume de impostos, taxas e contribuições pagos pelos brasileiros à União, aos Estados e aos municípios.
Segundo análise da própria ACSP, a evolução da arrecadação está relacionada a uma combinação de fatores, entre eles o comportamento da atividade econômica, a inflação — considerando o peso dos tributos incidentes sobre o consumo — e mudanças na tributação.
Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Paulo Roberto Martinello Jr., os números precisam servir de alerta para a sociedade e, principalmente, para o poder público. “A carga tributária no Brasil é um verdadeiro escândalo. Estamos falando de R$ 3 trilhões retirados da economia, das empresas e do bolso dos brasileiros em apenas nove meses. Não é possível que a resposta para o crescimento dos gastos públicos seja sempre buscar mais recursos de quem produz, trabalha e gera empregos”, afirma Martinello.
O presidente da Acib faz coro com a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) na defesa da responsabilidade fiscal, do controle das despesas e de maior eficiência na utilização dos recursos públicos.
Martinello ressalta que a discussão não pode se limitar ao volume arrecadado, mas deve considerar principalmente a qualidade da contrapartida oferecida à sociedade. “Se o brasileiro paga tanto imposto, precisa receber serviços públicos à altura. Precisamos discutir seriamente a eficiência do Estado, combater desperdícios e controlar despesas. O setor produtivo não pode continuar sendo tratado como uma fonte inesgotável de recursos para financiar o crescimento dos gastos públicos”, afirma.
Para o dirigente, a elevada tributação se soma a outros fatores que pressionam as empresas brasileiras, como juros elevados, burocracia, custos operacionais e endividamento, reduzindo a capacidade de investimento e de geração de novos postos de trabalho. “O empresário quer investir, contratar, produzir e crescer. Mas, para isso, precisa de condições. Quanto maior a parcela dos recursos destinada a impostos, juros e custos burocráticos, menor é a capacidade das empresas de investir, inovar e gerar empregos de qualidade”, acrescenta.
Martinello também chama atenção para o fato de que o peso dos tributos não recai exclusivamente sobre as empresas. A tributação incidente sobre produtos, serviços, renda e patrimônio também chega diretamente ao consumidor e compromete o orçamento das famílias. “Quando falamos em R$ 3 trilhões, não estamos falando de um número abstrato. Estamos falando do dinheiro de quem trabalha, de quem empreende e de quem consome. São recursos que poderiam estar circulando na economia, estimulando investimentos, consumo e geração de renda. Por isso, precisamos discutir não apenas quanto o governo arrecada, mas principalmente como gasta aquilo que arrecada”, destaca.
A Acib defende que o equilíbrio das contas públicas seja buscado prioritariamente por meio da eficiência da máquina pública, da responsabilidade fiscal, do combate aos desperdícios e da melhoria da qualidade dos gastos, evitando que o crescimento das despesas resulte continuamente em maior pressão sobre empresas e cidadãos.
“O Brasil não precisa simplesmente arrecadar mais. Precisa gastar melhor. Quem produz e trabalha não pode ser chamado indefinidamente para pagar uma conta que cresce todos os anos. Precisamos de um Estado eficiente e de um ambiente econômico que estimule o empreendedorismo, os investimentos e a geração de empregos”, conclui Paulo Roberto Martinello Jr.
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