OPINIÃO

Mamom

Por Charles Borg | especial para a Folha da Região
| Tempo de leitura: 2 min

Entre Deus e dinheiro não há sociedade! Ética não convive com cupidez! A prática do cuidado é incompatível com a ganância! A paixão pelo domínio bate de frente com o espírito de serviço! Jesus é enfático quando ensina ser impossível servir a Deus e ao dinheiro. Dinheiro e poder, infame parceria! Recentes reportagens revelam, com justificada repugnância e apreensiva preocupação, a extensão dos estragos causados pela deletéria influência do dinheiro. 

Estarrecida e indignada, a sociedade fica sabendo de relacionamentos promíscuos entre agentes do Estado no Executivo, no Legislativo e no Judiciário e fraudadores, condicionando o serviço público a interesses privados. O feitiço pecuniário desarranja qualquer bússola ética. Desolada a população contempla o infame leilão e a vergonhosa inversão de valores. Abdica-se, por completo, do referencial ético diante da idolatria da moeda.

Aturdida e indignada, a população acompanha o desenrolar dos acontecimentos sem muito saber como reagir. Fato é que não se pode simplesmente resignar-se diante de tantos desmandos e de tão escandalosos abusos. A população não pode ficar refém de agentes que, sem nenhum escrúpulo nem pudor, condicionam os interesses da nação a vantagens particulares. É preciso resgatar com enfática clareza que a nação não está à venda! Tampouco refém de servidores ímprobos! 

Clama-se por rigorosas apurações e isentas investigações capazes de elucidar as denúncias e incriminar desonestos servidores. A nefasta e revoltante sensação de impunidade precisa ser categoricamente sepultada. Abuso de poder é inadmissível, porque cruel é! Urge uma profunda e difusa mudança de mentalidade. A atual cultura hedonista, egocêntrica e consumista favorece fortemente o culto ao dinheiro e atiça a paixão pelo domínio. Luxo e vaidades enfeitiçam. Poder e domínio inebriam. Mas têm custo! O consumo alimenta a ganância. A ganância ceva o domínio. 

Importa, hoje, ter dinheiro para consumir e aparecer. Importa aparecer para influenciar e dominar. Acontece que quando o dinheiro e o poder passam a ser os primeiros referenciais de conduta abdica-se da moral, da honestidade e da integridade. Por dinheiro mancha-se o caráter, desmantelam-se laços familiares, traem-se os amigos! A ganância ceva a ambição pelo domínio que abusa das pessoas, desrespeita pactos, arruína culturas, mata inocentes. 

Urge acordar-se e compenetrar-se do nefasto feitiço desses ídolos que envenenam pessoas e arruínam civilizações. Urge resgatar o sublime valor da honestidade. Urge recuperar a transcendente supremacia da integridade do caráter. É a mudança profunda e difusa que precisa acontecer e com urgência, na moderna mentalidade. Tarefa desafiadora combater o lesivo domínio do ídolo mamom. Redentora missão contestar a paranoica ambição pelo poder. A cupidez corrompe, corrói, colapsa. A caridade constrói, congrega, cuida.

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