POLÍCIA

Laudo contradiz versão do pai sobre morte de menino de 3 anos

da Rede Sampi
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Gustavo Veloso, de 3 anos
Gustavo Veloso, de 3 anos

A versão apresentada pelo pai de Gustavo Veloso, de 3 anos, para explicar a morte do filho foi contrariada pelo resultado da perícia. Igor Veloso de Sousa afirmou à Polícia Civil que o menino teria se afogado na piscina de casa, mas o IML (Instituto Médico Legal) descartou o afogamento como causa da morte e identificou indícios de crime.

Gustavo foi encontrado morto em 3 de agosto, na casa do pai, em Palmas, no Tocantins. Igor e a madrasta do menino, Kathellen Moreira, estão presos preventivamente desde 5 de agosto e são investigados por homicídio duplamente qualificado e tortura. Até o momento, o inquérito não foi concluído e não houve denúncia do Ministério Público.

As divergências entre os depoimentos e as evidências reunidas durante a investigação estão entre os pontos analisados pela Polícia Civil.

Pai disse que menino se afogou

Em depoimento, Igor sustentou que ocorreu um acidente doméstico. Segundo ele, Gustavo teria se afogado enquanto estava na piscina e o pai se distraía com o celular.

Igor contou que retirou o filho da água, deu um banho nele e depois o colocou para dormir. Ainda conforme seu relato, o corpo da criança estava frio, mas ele teria associado a temperatura ao fato de o menino estar em um ambiente com ar-condicionado.

O pai afirmou que percebeu a gravidade da situação somente na manhã seguinte, quando tentou acordar Gustavo.

A versão entrou em conflito com as primeiras constatações da perícia. Ainda durante a apuração do caso, o delegado responsável foi informado pelo IML de que Gustavo não havia morrido afogado e que havia elementos indicativos de crime.

Segundo informações do laudo pericial divulgadas pelo g1, o menino apresentava diversas lesões, e a perícia descreveu circunstâncias indicativas de violência.

Madrasta disse ter visto reação do menino

Kathellen também foi ouvida pelos investigadores. Ela relatou que entrou no quarto por volta das 6h50 para buscar um medicamento e não percebeu algo anormal.

Segundo a versão apresentada pela madrasta, ao acender a luz, Gustavo teria feito um movimento com os olhos.

Ela também declarou que, aproximadamente às 9h, saiu de casa com Igor. O casal teria permanecido circulando de carro, sem destino definido, seguindo em direção a Lajeado.

Os relatos passaram a ser confrontados pelos investigadores com os resultados periciais e demais elementos obtidos durante as diligências.

Casal está preso desde agosto

Igor e Kathellen foram presos preventivamente em 5 de agosto, dois dias depois da morte de Gustavo. Segundo a investigação, aparelhos celulares teriam sido escondidos antes das prisões.

A participação de cada investigado continua sendo apurada. A Justiça já rejeitou dois pedidos de habeas corpus apresentados pela defesa de Kathellen. Apesar de a madrasta ter uma filha bebê, foi considerado que a criança está sob os cuidados da avó, além da gravidade dos fatos investigados.

A defesa de Igor e Kathellen informou que ambos têm colaborado com a investigação dentro dos limites legais e permanecem à disposição das autoridades para o esclarecimento do caso.

A SSP (Secretaria da Segurança Pública) informou que o inquérito continua em andamento e que outras informações não serão divulgadas neste momento para evitar prejuízo às investigações.

Ministério Público aguarda conclusão do inquérito

O MPTO (Ministério Público do Tocantins) acompanha a investigação, mas ainda não apresentou denúncia contra os investigados.

O órgão informou que aguarda a Polícia Civil concluir as diligências e encaminhar o inquérito. Somente depois disso, o promotor responsável analisará as provas reunidas e decidirá quais providências serão adotadas.

Não há prazo definido para eventual oferecimento de denúncia.

Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários