MANDATO CASSADO

Vini Oliveira é cassado pela Câmara de Campinas

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/CMC
Plenário da Câmara aprova perda do mandato de Vini Oliveira após processo por quebra de decoro parlamentar.
Plenário da Câmara aprova perda do mandato de Vini Oliveira após processo por quebra de decoro parlamentar.

A Câmara de Campinas cassou nesta quarta-feira (9) o mandato do vereador Vini Oliveira (Cidadania) por 23 votos a 5, em uma sessão que durou quase cinco horas e meia e foi marcada por forte tensão. O resultado confirmou, por apenas um voto além do mínimo necessário, o parecer da Comissão Processante que apontou quebra de decoro parlamentar.

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Para retirar o mandato, eram necessários pelo menos 22 votos favoráveis à cassação, equivalentes a dois terços das 33 cadeiras da Câmara. Votaram contra a perda do mandato Arnaldo Salvetti (MDB), Edison Ribeiro (União Brasil), Marrom Cunha (MDB), Hebert Ganem (Podemos) e o próprio Vini Oliveira. Com 23 votos favoráveis, o plenário decretou a perda definitiva do cargo.


Reprodução/TV Câmara

O julgamento começou às 9h e atravessou boa parte do dia. Além dos embates entre vereadores e da longa manifestação da defesa, a sessão atraiu grupos favoráveis e contrários à cassação, que acompanharam o processo na Câmara. O clima ficou tenso em diferentes momentos e houve troca de agressões entre manifestantes, aumentando a pressão em torno de uma votação que já carregava forte peso político.

Processo durou mais de três meses

A cassação encerra uma Comissão Processante aberta em 1º de junho, por 29 votos a zero, para investigar a atuação de Vini em reuniões mantidas com representantes da Smile Transportes, empresa ligada a um dos consórcios envolvidos na licitação do transporte coletivo de Campinas.

O relatório final, elaborado pelo vereador Otto Alejandro (PL) e aprovado também por Paulo Haddad (PSD) e Dr. Yanko (PP), concluiu que Vini ultrapassou os limites da fiscalização parlamentar ao buscar informações e documentos junto a uma empresa diretamente interessada no processo licitatório.

A defesa sustentou durante a tramitação que o vereador atuou no exercício de suas atribuições de fiscalização e questionou a validade de elementos utilizados no processo. Os argumentos, porém, não foram suficientes para impedir que o plenário atingisse o número necessário para a perda do mandato.

Autora da denúncia ficou fora da votação

A Comissão Processante teve origem em denúncia apresentada pela vereadora Mariana Conti (PSOL). Por ser autora da representação, ela não participou do julgamento e foi substituída pelo suplente Paulo Bufalo.

Ao longo dos mais de três meses de tramitação, a comissão realizou oitivas, analisou documentos, recebeu manifestações da defesa e chegou ao relatório final pela cassação. O parecer, no entanto, tinha caráter apenas recomendatório e dependia da decisão dos vereadores em plenário.

Nesta quarta-feira, essa etapa foi concluída. Com 23 votos favoráveis e cinco contrários, Vini Oliveira deixa a Câmara e encerra o mandato após um dos julgamentos políticos mais tensos da história recente do Legislativo campineiro.

Sessão teve forte tensão

A sessão seguiu o rito previsto no Decreto-Lei 201/1967 e permitiu manifestações dos vereadores e da defesa antes da votação nominal. O procedimento prolongou o julgamento por quase cinco horas e meia.

Do lado de fora e nas dependências da Câmara, manifestantes pró e contra Vini acompanharam a movimentação. A disputa política extrapolou o plenário e chegou a episódios de confronto entre participantes dos dois grupos.

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