CULINÁRIA

Creme de Cabotiá

Por Sonia Machiavelli | especial para a Rede Sampi
| Tempo de leitura: 3 min

Ingredientes

  • 1 kg de cabotiá
  • 2 colheres (sopa) de azeite de oliva
  • ½ colher (sopa) de manteiga
  • 1 cebola branca média
  • 1 talo de alho-poró
  • 3 rodelas de gengibre
  • 1 dente de alho picado
  • 2 litros de água
  • 1 colher (chá) de sal
  • Pimenta-do-reino a gosto
  • Folhas de hortelã para decorar

O cabotiá, que deveria ser palavra feminina por questão de tradução para o português, na linguagem popular fixou-se como masculina e também se tornou conhecido como abóbora-japonesa. Dá gosto olhar para o fruto, que a natureza nos apresenta em rígida casca verde-escura, salpicada por manchas acinzentadas e uns gomos profundos. Essa casca é uma armadura que exige enfrentamento de faca afiada, mas para os dispostos a atravessar a barreira exterior, a recompensa é um espetáculo de cor, textura e sabor que atinge seu ápice quando transformada em creme aveludado, digno de estar presente em qualquer mesa, como este mostrado na foto acima.

Quando a lâmina da faca entra na casca e essa cede ao corte, o contraste se revela de forma impactante: o verde fechado dá lugar a uma polpa alaranjada e vibrante, quente e solar. É uma tonalidade que parece reter a própria luz do sol que a alimentou durante o cultivo. Essa cor não deleita apenas a vista; ela é uma promessa de nutrição, aconchego e sabor encorpado. Ao entrar em contato com o calor - seja através do cozimento em água, do refogado lento ou do assado no forno -, o milagre da textura começa a se desenhar. A fibra densa amolece, os açúcares naturais se concentram e a dureza inicial se dissolve em uma promessa de extrema maciez.

Pousar o creme de cabotiá à mesa é despertar o comensal para um ato de celebração estética e sensorial. A apresentação desse prato carrega uma elegância natural que dispensa acréscimos, embora haja quem goste de acompanhamentos como croutons ou queijos fortes tipo gorgonzola. Servido em tigela de louça ou prato fundo de porcelana a iguaria se destaca imediatamente como o centro das atenções.

Cada colherada levada à boca revela na maciez sua verdadeira essência. A textura espessa, rica e envolvente reveste o paladar com suavidade reconfortante. Não há aspereza; existe apenas uma cremosidade contínua que parece derreter suavemente. O sabor acompanha essa delicadeza: a doçura natural da abóbora surge em primeiro plano, equilibrada com maestria pelas notas salgadas do caldo, pelo aroma da cebola caramelizada na base, pelo toque aromático do alho e do gengibre. E, para quem gosta, pelo picante da pimenta. É uma combinação que aquece o corpo e acalma a mente em noites onde o frio ameaça lá fora.

Preparo

Em uma panela grande, coloque o azeite de oliva e a manteiga. Leve ao fogo para aquecer. Junte a cebola bem picada e deixe caramelizar em fogo baixo por vinte minutos, mexendo de vez em quando. Então agregue o alho-poró e o gengibre cortados em rodelas e refogue por 3 minutos, esperando que dourem. Só então acrescente o alho e refogue por mais 1 minuto. Adicione a abóbora e a água, e misture. Quando levantar fervura, mantenha o fogo baixo e cozinhe, com a panela semitampada, por 30 minutos, ou até que a abóbora esteja macia. Retire do fogo, transfira, aos poucos, com concha e cuidado, para o copo do liquidificador e bata, em velocidade média, por 2 minutos, ou até ficar um creme homogêneo. Volte a mistura para a panela, junte o sal e a pimenta (moída na hora, se for sua opção), misture e cozinhe em fogo baixo por mais 5 minutos, ou até ferver novamente. Retire do fogo e sirva em seguida, decorado com folhas de hortelã.

Sonia Machiavelli é professora, jornalista, escritora; membro da Academia Francana de Letras

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