O maior ladrão de banco da história do Velho Oeste tinha um nome: Jesse Woodson James. Nascido no estado do Missouri em 1847, ele se tornou o fora da lei mais célebre da era dos cowboys a partir do assalto ao Banco de Poupança do Condado de Clay, em 1866.
Jovem e ousado, planejou e, ao lado do irmão Frank e de sócios da gangue, fincou pela primeira vez no registro histórico dos Estados Unidos um assalto a banco em plena luz do dia em tempos de paz.
Feito que, curiosamente, lhe rendeu uma homenagem: o “Jesse James Bank Museum”, instalado no local exato do roubo, na praça central da cidade de Liberty.
Estima-se que entre 1866 e 1882, tempos em que integrou e liderou os negócios da James-Younger Gang — especializada no ramo de assaltos a bancos, diligências e trens pagadores —, o resultado dos roubos tenha chegado a 250 mil dólares. Corrigido, giraria na casa dos US$ 8 milhões nos dias atuais.
Contabilizando apenas os assaltos a bancos, Jesse James e seu bando acumularam cerca de 80 mil dólares (na versão mais otimista), o que em valores de hoje equivaleria a US$ 2,5 milhões.
Avançando para o Brasil contemporâneo, o Banco Master (e todo o seu conglomerado, entre eles o Will Bank e o Letsbank/Bluebanks) deixou um rombo financeiro sem precedentes. Segundo estimativas da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), o prejuízo total da fraude pode alcançar a impressionante marca de R$ 500 bilhões, o equivalente a quase 100 bilhões de dólares.
O impacto é devastador. Fundos de previdência de servidores públicos perderam quantias bilionárias, bancos estatais como o BRB absorveram prejuízos gigantescos, milhares de clientes foram lesados e o Fundo Garantidor de Créditos precisou cobrir parte das perdas. Para especialistas, talvez seja a maior fraude bancária da história brasileira.
Paralelo a tudo isso, enquanto trapaças sofisticadas corriam soltas, as lideranças do esquema criminoso ostentavam luxo e poder em escala estratosférica, com festas milionárias, viagens extravagantes, mansões e jatos particulares.
Para efeito de comparação, ao contrário do que mostram os filmes, Jesse James nunca viveu na opulência. O montante dos roubos tinha que ser dividido igualmente entre 5 a 12 homens a cada assalto. Como precisavam gastar fortunas subornando informantes, comprando cavalos de raça para as fugas, pagando por esconderijos e tratando ferimentos de bala, a maior parte do dinheiro sumia rapidamente.
Jesse James mudava constantemente de nome e de cidade, vivendo uma vida secreta de classe média baixa até o dia de sua morte, em 3 de abril de 1882. Traído, foi assassinado dentro de sua própria casa por um membro da sua gangue em troca da recompensa oferecida pelo governo.
O contraste é brutal. O grande erro do mais famoso ladrão de banco da história não foi ter roubado bancos; foi não ter fundado um.
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