FACÇÃO CRIMINOSA

PCC virou multinacional do crime e lucra com tráfico global

Por Xandu Alves | Vale do Paraíba
| Tempo de leitura: 3 min

O PCC (Primeiro Comando da capital) deixou de ser apenas uma facção criminosa surgida na Casa de Custódia de Taubaté, em 1993, com influência nos presídios paulistas, para se transformar em uma organização internacional voltada ao lucro bilionário do tráfico de drogas e da lavagem de dinheiro. A avaliação é do promotor de Justiça Alexandre Castilho, integrante do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) no Vale do Paraíba, órgão do Ministério Público de São Paulo.

Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp

Em entrevista ao Documento OVALE Cast, Castilho revelou detalhes da estrutura da facção, criada no Vale do Paraíba e hoje considerada uma das maiores organizações criminosas da América Latina. Segundo ele, o grupo opera com características semelhantes às de uma multinacional, utilizando estratégias empresariais, gestão financeira profissional e ramificações internacionais.

“O PCC hoje é essa diversidade. É o tráfico internacional e as lideranças se encontram escondidas na Bolívia. Algumas ainda estão no Brasil, mas a maioria está fora do país”, afirmou o promotor.

De acordo com Castilho, o PCC evoluiu ao longo dos anos e passou a investir fortemente em lavagem de dinheiro, usando fintechs, empresas de fachada e aplicações financeiras para ocultar recursos obtidos com o tráfico internacional de drogas, roubos e outros crimes. As investigações mais recentes, como a operação Carbono Oculto, revelaram mecanismos sofisticados utilizados pela facção para movimentar milhões de reais sem levantar suspeitas.

Estrutura de empresa privada

O promotor explicou que o grupo possui uma estrutura organizada semelhante à de uma empresa privada. Há controle de fluxo de caixa, cobrança de dívidas, financiamento de crimes e divisão de funções entre integrantes responsáveis por operações dentro e fora dos presídios.

“O crime é profissional. Eles aprendem com as próprias investigações feitas pelo Estado. Quando uma estratégia policial é repetida, eles já conseguem se adaptar. Por isso, as forças de segurança precisam estar sempre mudando os métodos”, disse.

Segundo o integrante do Gaeco, o PCC mantém uma rígida disciplina interna. Integrantes que descumprem regras ou deixam dívidas são julgados pela própria facção e podem sofrer punições severas, incluindo execuções sumárias. O grupo também oferece suporte financeiro e alimentação para familiares de presos ligados à organização, fortalecendo vínculos de lealdade e dependência.

Estado subestimou existência e tamanho da facção

Castilho destacou ainda que, durante muitos anos, o Estado subestimou a existência e o tamanho da facção criminosa. Para ele, a demora no reconhecimento da ameaça contribuiu diretamente para o crescimento do PCC em São Paulo e no restante do país.

“Por muito tempo, o governo negou que existia o PCC. Hoje a situação é diferente porque as instituições estão mais integradas, existe mais troca de informações e o Estado está mais preparado”, afirmou.

O promotor acredita que um novo ataque coordenado como os registrados em maio de 2006 seria mais difícil atualmente devido ao fortalecimento dos sistemas de inteligência e integração entre forças policiais e órgãos de investigação.

Apesar disso, ele alerta que o PCC continua ampliando sua atuação internacional e consolidando um modelo de crime organizado cada vez mais sofisticado, lucrativo e difícil de combater.

Para Castilho, a principal arma contra a facção é atingir o dinheiro movimentado pela organização criminosa. “A melhor forma de combater o crime organizado é seguir o rastro do dinheiro. Quando você enfraquece as finanças, reduz o poder de atuação da facção”, concluiu.

Veja a entrevista de Alexandre Castilho ao Documento OVALE Cast

Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários