A espera angustiante de uma idosa de 91 anos por uma cirurgia ortopédica expõe a pressão enfrentada pela rede hospitalar em Araçatuba. Internada há quase um mês após sofrer uma fratura no fêmur, a paciente teve o procedimento adiado nove vezes devido à falta de vagas em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Moradora de Guararapes, Maria de Lurdes Barbosa sofreu a queda dentro do banheiro enquanto tomava banho. Diagnosticada com Alzheimer e apresentando outras comorbidades, ela foi transferida para a Santa Casa de Araçatuba no dia 11 de abril, onde aguarda a realização da cirurgia.
Segundo familiares, a rotina da paciente se transformou em uma sequência de preparações frustradas. Em diversas ocasiões, ela entrou em jejum durante a madrugada, foi encaminhada até a ala cirúrgica e permaneceu horas aguardando o procedimento. No entanto, sempre acabava retornando para a enfermaria após o cancelamento da cirurgia.
A filha da idosa, Cleonice Barbosa, relata o desgaste físico e emocional vivido pela mãe durante a internação. De acordo com ela, além do sofrimento provocado pela longa espera, a paciente desenvolveu ferimentos na perna enquanto permanece hospitalizada.
A Santa Casa informou que os leitos intensivos destinados a adultos operam com ocupação máxima. O hospital é referência para 42 municípios da região e possui 40 vagas de UTI, atualmente ocupadas por pacientes em estado grave, incluindo vítimas de acidentes de trânsito e casos de urgência cardiológica e neurológica.
Ainda conforme a instituição, devido à idade avançada e ao quadro clínico delicado, Maria de Lurdes necessita obrigatoriamente de suporte intensivo no período pós-operatório, o que impede a realização da cirurgia sem a disponibilidade de um leito especializado.
Em nota, a direção do hospital afirmou que equipes médicas, coordenação de regulação de vagas e responsáveis pelas UTIs trabalham para reorganizar a logística interna e priorizar o atendimento da paciente.
Diante da situação, o caso foi encaminhado ao Ministério Público do Estado de São Paulo, enquanto a família cobra uma solução urgente para evitar o agravamento do estado de saúde da idosa.
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