Um levantamento da Folha da Região, com base no Portal da Transparência do Registro Civil do Brasil, revela uma mudança silenciosa, porém profunda, no perfil demográfico da região de Araçatuba: o número de nascimentos vem caindo de forma consistente ao longo da última década. O principal destaque está em Araçatuba, maior cidade da região, que registrou 2.651 nascimentos em 2015. Em 2024, esse número caiu para 2.106, uma redução de aproximadamente 20,6% no período. Já em 2025, houve leve recuperação, com 2.133 registros, enquanto os primeiros quatro meses de 2026 somam 706 nascimentos.
A tendência se repete nas demais cidades de maior porte. Em Birigui, os registros passaram de 1.562 nascimentos em 2015 para 1.119 em 2024, queda de cerca de 28,3%. Em 2025, foram 1.114, e entre janeiro e abril deste ano, 391 crianças nasceram no município.
Já em Penápolis, a redução foi de 22,3%: de 826 nascimentos em 2015 para 642 em 2024. No ano passado, o número caiu levemente para 632, e em 2026, até agora, são 214 registros.
Os dados indicam uma desaceleração contínua no ritmo de nascimentos, mesmo com pequenas oscilações recentes.
A comparação proporcional mostra que Birigui lidera a queda mais acentuada entre as três cidades analisadas, seguida por Penápolis e Araçatuba. Em comum, os municípios refletem uma mudança estrutural no comportamento da população, com famílias menores e adiamento da maternidade, sobretudo pós-pandemia da covid.
Esse cenário regional acompanha uma tendência mais ampla observada em todo o estado de São Paulo. Segundo a PNAD Contínua, do IBGE, a população paulista chegou a 46,077 milhões de pessoas em 2025, com crescimento de quase 3 milhões em 13 anos. No entanto, o avanço populacional vem sendo puxado principalmente pelo envelhecimento: os idosos, com 60 anos ou mais, já somam 8,074 milhões de pessoas, o equivalente a 17,6% do total.
Levantamentos da Arpen-SP também apontam queda no número de registros civis em cartórios, especialmente na capital paulista. Dados da Fundação Seade mostram que, entre 2010 e 2022, quase metade dos distritos da cidade de São Paulo perdeu população, sobretudo em regiões do centro expandido, norte e leste. O fenômeno reforça uma reconfiguração demográfica que combina redução de nascimentos, migração interna e envelhecimento.
Especialistas apontam que fatores como custo de vida elevado, maior inserção das mulheres no mercado de trabalho, acesso à educação e mudanças culturais ajudam a explicar a queda na taxa de natalidade. Na região de Araçatuba, embora os números ainda não indiquem retração populacional imediata, o ritmo mais lento de nascimentos pode trazer impactos futuros, como redução da população economicamente ativa e maior demanda por políticas voltadas à terceira idade.
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