CRONÍCULAS

Fechou o Totò

Por Jeremias Alves Pereira Filho | especial para a Folha da Região
| Tempo de leitura: 2 min

Isso mesmo, atento leitor, Totò com acento grave. Com agudo é Totó, nome simpático de cachorrinho que bem podia ser tutelado pela minha neta Antonia. Me refiro a um restaurante pequeno, charmoso e acolhedor, próximo da minha casa, na Vila Nova Conceição, em São Paulo, na rua Dr. Sodré, atravessando a avenida Santo Amaro, recém revitalizada.

Os criadores do espaço - lá se vão 27 anos - emprestaram o nome do Totò, o ator italiano Antonio Di Curtis, icônico comediante, roteirista, dramaturgo, poeta, cantor, letrista e roteirista, cujo nome de batismo completo era Antonio Griffo Focas Flavio Angelo Ducas Comneno Porfirogenito Gagliardi De Curtis di Bisanzio, também chamado pelos íntimos de Antonio Vincenzo Stefano Clemente, nascido em Nápoles (1898) e morto em Roma (1967).

Engraçado até no nome... Talvez quisesse alcançar na carreira o mesmo número que tinha no seu nome. Quase conseguiu, porque além de tudo também era mímico, alegre, carismático e bom de garfo e copo. Conhecido mundialmente como “il príncipe della risata” fazia qualquer um se esbaldar(ôpa!) com suas tiradas e expressões faciais únicas.

Não consta que tenha sido “chef” de cozinha ou dono de restaurante, certamente por absoluta falta de espaço e tempo devido às suas múltiplas atividades. Mais que bastante, porém, para os donos do pedaço, manifestos admiradores, homenagear o Totò espalhando fotos e cartazes dos principais filmes que brilhou pelas paredes das saletas do restaurante. Nem precisava botar placa na porta...

Venceu a especulação imobiliária e o Totò teve que fechar as portas depois de servir incontáveis comensais de boas entradas e pratos italianos personalizados, regados pelas criativas caipirinhas de pinga escolhida, de autoria do Alfredo Martins, em especial a composta por lâminas de caju, mexerica e limão cravo. Ou a de romã, ou de jabuticaba e qualquer outra obra prima com limão Tahiti, tudo cortado habilmente com faca amolada. Tal como o patrono, Alfredo sempre foi – e é –  conhecido como o “príncipe das caipirinhas”, tamanha sua desenvoltura na arte de bem servir o prêmio etílico.

Fechou por pouquíssimo tempo, ainda bem, porque o Totò vai continuar firme e forte já instalado na curva de nostálgica ruazinha de Moema, também aqui perto, numa casinha legal e carinhosamente adaptada com as mesmas fotos e cartazes e, de quebra, mesinhas no quintal. Para alegria e satisfação nossa e do Didi Leles, seu mais fiel cliente de balcão do bar dirigido pelo “príncipe”.

Jeremias Alves Pereira Filho é sócio de Jeremias Alves Pereira Filho Advogados Associados. Especialista em direito empresarial e professor emérito da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Araçatubense nato

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